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ESDE — Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita — Programa Complementar

Módulo VIII — A Evolução do Pensamento Religioso

 

Roteiro 2

 

Politeísmo

 

Objetivo Geral: Dar condições de entendimento da evolução do pensamento religioso.

Objetivos Específicos: Esclarecer por que a ideia politeísta faz parte da evolução do pensamento religioso. — Identificar as tradições religiosas do politeísmo.


 

CONTEÚDO BÁSICO

 

 


 

SUGESTÕES DIDÁTICAS

 

Introdução:

 

Desenvolvimento:

 

Conclusão:

 

Avaliação:

 

Técnica(s):

 

Recurso(s):

 


SUBSÍDIOS

 

1. A ideia politeísta no contexto da evolução do pensamento religioso

A teologia classifica a religião em politeísta e monoteísta. Politeísmo é o sistema ou crença em vários deuses. O monoteísmo aceita apenas um Deus, Criador Supremo de todos os seres e coisas do Universo. As manifestações politeístas apresentam algumas das seguintes características:

 

A crença em vários deuses foi o sistema religioso inicial porque a […] concepção de um Deus único não poderia existir no homem, senão como resultado do desenvolvimento de suas ideias. Incapaz, pela sua ignorância, de conceber um ser imaterial, sem forma determinada, atuando sobre a matéria, conferiu-lhe o homem atributos da natureza corpórea, isto é, uma forma e um aspecto e, desde então, tudo o que parecia ultrapassar os limites da inteligência comum era, para ele, uma divindade. Tudo o que não compreendia devia ser obra de uma potência sobrenatural. Daí a crer em tantas potências distintas quantos os efeitos que observava, não havia mais que um passo. Em todos os tempos, porém, houve homens instruídos, que compreenderam ser impossível a existência desses poderes múltiplos a governarem o mundo, sem uma direção superior, e que, em consequência, se elevaram à concepção de um Deus único. (3)

Dessa forma, […] chamando deus a tudo o que era sobre-humano, os homens tinham por deuses os Espíritos. Daí veio que, quando um homem, pelas suas ações, pelo seu gênio, ou por um poder oculto que o vulgo não lograva compreender, se distinguia dos demais, faziam dele um deus e, por sua morte, lhe rendiam culto. (4)

A palavra deus tinha, entre os antigos, acepção muito ampla. Não indicava, como presentemente, uma personificação do Senhor da Natureza. Era uma qualificação genérica, que se dava a todo ser existente fora das condições da Humanidade. Ora, tendo-lhes as manifestações espíritas revelado a existência de seres incorpóreos a atuarem como potência da Natureza, a esses seres deram eles o nome de deuses, como lhes damos atualmente o de Espíritos. Pura questão de palavras, com a única diferença de que, na ignorância em que se achavam, mantida intencionalmente pelos que nisso tinham interesse, eles erigiram templos e altares muito lucrativos a tais deuses, ao passo que hoje os consideramos simples criaturas como nós, mais ou menos perfeitas e despidas de seus invólucros terrestres. (5)

Assim, a […] ignorância do princípio de que são infinitas as perfeições de Deus foi que gerou o politeísmo, culto adotado por todos os povos primitivos, que davam o atributo de divindade a todo poder que lhes parecia acima dos poderes inerentes à Humanidade. Mais tarde, a razão os levou a reunir essas diversas potências numa só. Depois, à proporção que os homens foram compreendendo a essência dos atributos divinos, retiraram dos símbolos, que haviam criado, a crença que implicava a negação desses atributos. (2)

 

2. Tradições religiosas do politeísmo

Em todas as épocas da humanidade Deus jamais deixou de enviar ao Planeta Espíritos missionários com a incumbência de instruir espiritualmente os homens. Neste sentido, […] as religiões houveram de serem sua origem relativas ao grau de adiantamento moral e intelectual dos homens: estes assaz materializados para compreenderem o mérito das coisas puramente espirituais, fizeram consistir a maior parte dos deveres religiosos no cumprimento de fórmulas exteriores. (1) Nos tempos primevos, como na atualidade, o homem teve uma concepção antropomórfica de Deus. Nos períodos primários da Civilização, como preponderavam as leis da força bruta e a Humanidade era um aglomeração de seres que nasciam da brutalidade e da aspereza, que apenas conheciam os instintos nas suas manifestações, a adoração aos seres invisíveis que personificavam os seus deuses era feita de sacrifícios inadmissíveis […]. (21)

De forma abrangente, vamos […] encontrar, historicamente, as concepções mais remotas da organização religiosa na civilização chinesa, nas tradições da Índia védica e bramânica, de onde também se irradiaram as primeiras lições do Budismo, no antigo Egito, com os mistérios do culto dos mortos, na civilização resplandecente dos faraós, na Grécia com os ensinamentos órficos e com a simbologia mitológica, existindo já grandes mestres, isolados intelectualmente das massas, a quem ofereciam os seus ensinos exóticos, conservando o seu saber de iniciados no círculo restrito daqueles que os poderiam compreender devidamente. (20)

Vemos, então, que os habitantes do Planeta concebiam a religião de forma politeísta e antropomórfica, identificando em cada deus reverenciado qualidades supra-humanas. As ideias politeístas e antropomórficas aparecem na Religião, na Filosofia e em outras atividades culturais dos povos antigos. Destacaremos, a propósito, algumas contribuições registradas pela História.

 

2.1 Tradição religiosa chinesa

Desde as épocas mais distantes, Jesus enviou missionários às criaturas que se organizavam, econômica e politicamente, entre as primeiras comunidades da Terra. (19) É importante considerar, porém, que a tradição religiosa chinesa apresenta uma feição mais filosófica do que religiosa, propriamente dita, daí ser nomeada como “filosofia religiosa” ou “religião-filosófica”.

 

2.2 As crenças religiosas hindus

As organizações hindus são de origem anterior à própria civilização egípcia e antecederam de muito os agrupamentos israelitas, de onde sairiam mais tarde personalidades notáveis como as de Abraão e Moisés. As almas exiladas naquela parte do Oriente muito haviam recebido da misericórdia do Cristo, de cuja palavra de amor e de cuja figura luminosa guardaram as mais comovedoras recordações, traduzidas na beleza dos Vedas e nos Upanishads. Foram elas as primeiras vozes da filosofia e da religião no mundo terrestre, como provindo de uma raça de profetas, de mestres e iniciados, em cujas tradições iam beber a verdade os homens e os povos do porvir, salientando-se que também as suas escolas de pensamento guardavam os mistérios iniciáticos, com as mais sagradas tradições de respeito. (17)

 

2.3 O politeísmo egípcio

Nos círculos esotéricos, onde pontificava a palavra esclarecida dos grandes mestres de então, sabia-se da existência do Deus Único e Absoluto, Pai de todas as criaturas e Providência de todos os seres […]. Desse ambiente reservado de ensinamentos ocultos, partiu, então, a ideia politeísta dos numerosos deuses, que seriam os senhores da Terra e do Céu, do Homem e da Natureza. As massas [populares] requeriam esse politeísmo simbólico, nas grandes festividades exteriores da religião. Já os sacerdotes da época conheciam essa fraqueza das almas jovens, de todos os tempos, satisfazendo-as com as expressões exotéricas de suas lições sublimadas. Dessa ideia de homenagear as forças invisíveis que controlam os fenômenos naturais, classificando-as para o espírito das massas, na categoria dos deuses, é que nasceu a mitologia da Grécia, ao perfume das árvores e ao som das flautas dos pastores, em contacto permanente com a Natureza. (16)

 

2.4 A mitologia grega e os cânticos órficos

A palavra mitologia vem de mito cujo significado […] abriga a noção de narrativa tradicional de conteúdo religioso. Entende-se, assim, por mitologia, em primeiro lugar o conjunto de narrativas desse tipo tal como se apresentam em um ou mais povos; em segundo lugar, o estudo das concepções mitológicas encaradas como um dos elementos integrantes da vida social. A narrativa mitológica envolve basicamente, pretensos acontecimentos relativos a épocas primordiais, ocorridos antes do surgimento dos homens (história dos deuses) ou com os “primeiros” homens (história ancestral). Contudo, o verdadeiro objeto do mito não são os deuses nem os ancestrais, mas a apresentação de um conjunto de ocorrências fabulosas [concernentes ao legendário ou às narrativas criadas pela imaginação] com que se procurou dar sentido ao mundo e às relações entre os seres. (13)

Os cânticos órficos fazem parte da tradição religiosa ocidental. Segundo a mitologia, Zeus teve nove filhas, denominadas musas, que dominavam a ciência universal e presidiam as artes liberais. Uma dessas musas, Calíope, patrona da poesia lírica e épica, e da eloquência, desposou Eagro, o deus-rio, de quem teve Orfeu, célebre cantor, músico e poeta. As belezas da harmonia e do conteúdo dos cantos e poesias órficos retratam, na gnose helênica (gnose = conhecimento sublime ou divino), o dualismo entre o bem e o mal, e as noções de corpo e alma. (12) (15)

É importante registrar que foi o pensamento mítico e a gnose helênica que forneceram os elementos para a construção da Filosofia grega, a qual, por sua vez, representa a base da organização social e cultural dos povos do Ocidente. A mitologia grega e os cânticos de Orfeu, enquanto ligados à experiência religiosa, são caracteristicamente politeístas e antropomórficos, nos apresentando uma comunidade de deuses e deusas, detentores de poderes supra-humanos, e distribuídos numa organização hierarquicamente estruturada: chefia de um deus maior e todo-poderoso (Zeus ou Júpiter) ao qual estavam submetidos os demais deuses: os principais, os subalternos a estes, as divindades infernais e os heróis ou semideuses.

 


ANEXO

 

Prece

(Meimei)

 


Referências Bibliográficas:

1. KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno. Tradução de Manuel Justiniano Quintão. 56. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005. Primeira parte, cap. I, item 12, p. 18.

2. Idem - A Gênese. Tradução de Guillon Ribeiro. 47. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005. Cap. II, item 17, p. 59.

3. Idem - O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 86. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005, questão 667, p. 322-323.

4. Id. - Questão 668, p. 323.

5. Id. - Questão 668-comentário, p. 323.

6. AMORIM, Deolindo. Cadernos Doutrinários. Salvador [BA]: Circulus, 2000. Cap. V (Estudos Complementares - Noções Sumárias de História das Religiões) p. 69.

7. DENIS, Léon. Depois da Morte. Tradução de João Lourenço de Souza. 25. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005. Parte primeira (Crenças e Negações), cap. II (A Índia), p. 30 a 35.

8. DICIONÁRIO HOUAISS DA LÍNGUA PORTUGUESA. Instituto Antônio Houaiss. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001, p.1333.

9. Idem, ibidem - p. 1936.

10. ENCICLOPÉDIA BARSA. Volume 7, item: Hinduísmo e Bramanismo, pág. 310.

11. Id. - Volume 13, item: Taoísmo, pág. 129-A.

12. ENCICLOPÉDIA MIRADOR INTERNACIONAL. São Paulo: Encyclopaedia Britannica do Brasil e Companhia Melhoramentos de São Paulo, 1995, volume 10, p. 5358.

13. Id. - Volume 14, p. 7762.

14. FEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEIRA. Curso de Estudo Aprofundado da Doutrina Espírita: Programa Religião à luz do Espiritismo. Brasília [DF]: FEB, 2005. Tomo I, roteiro 2, p. 20.

15. GUIMARÃES, Ruth. Dicionário da Mitologia Grega. São Paulo: Cultrix, 2004, p. 239-240.

16. XAVIER, Francisco Cândido. A Caminho da Luz. Pelo Espírito Emmanuel. 32. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005. Cap. IV (A Civilização Egípcia), item: O politeísmo simbólico, p. 43-44.

17. Id. - Cap.V (A Índia), item: A organização hindu, p. 49-50.

18. Id. - Cap.VIII (A China Milenária), item: Confúcio e Lao-Tsé, p. 76.

19. Idem, ibidem - Item: Fo-Hi, p. 75.

20. Idem - Emmanuel. Pelo Espírito Emmanuel. 24. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2004. Cap. II (A Ascendência do Evangelho), item: As tradições religiosas, p. 26.

21. Id. - Cap. XV (A Ideia da Imortalidade), item: O antropomorfismo, p. 87.