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ESDE — Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita — Programa Complementar

Módulo IV — Dos Médiuns

Roteiro 1


Classificação e características dos médiuns


Objetivo Geral: Favorecer o conhecimento das características do médium e da sua influência nas comunicações espíritas.

Objetivo Específico: Classificar os médiuns segundo a Codificação Espírita, dando as suas principais características.



CONTEÚDO BÁSICO


  • Podem dividir se os médiuns em duas grandes categorias: Médiuns de efeitos físicos, os que têm o poder de provocar efeitos materiais, ou manifestações ostensivas. Médiuns de efeitos intelectuais, os que são mais aptos a receber e a transmitir comunicações inteligentes. Allan Kardec: O Livro dos Médiuns. Capítulo XVI, item 187.

  • As principais variedades de médiuns para os efeitos físicos são: médiuns tiptólogos: produzem ruídos e pancadas; médiuns motores: produzem movimentos de corpos inertes; médiuns de translações e de suspensões: provocam a translação e a suspensão de corpos no espaço, sem ponto de apoio; médiuns de efeitos musicais: provocam execução de composições em instrumentos musicais, sem contato com estes; médiuns de aparições: os que podem provocar aparições tangíveis de Espíritos, visíveis aos circunstantes; médiuns de transporte: auxiliam os Espíritos no transporte de objetos; médiuns curadores: são os que têm o poder de curar ou aliviar doenças físicas. Allan Kardec: O Livro dos Médiuns. Capítulo XVI, item 189.

  • As principais variedades de médiuns para os efeitos intelectuais são: médiuns audientes: os que ouvem o que os Espíritos falam; médiuns falantes (ou psicofônicos): transmitem mensagens dos Espíritos pela voz; médiuns videntes: os que, em estado de vigília, veem os Espíritos; médiuns inspirados: recebem ideias ou sugestões relacionadas às ações da vida cotidiana ou aos grandes trabalhos da inteligência; médiuns de pressentimentos: os que têm intuição de acontecimentos futuros; médiuns sonâmbulos: os que, em estado de sonambulismo, são assistidos por Espíritos; médiuns pintores ou desenhistas: os que pintam ou desenham por influência dos Espíritos; médiuns músicos: os que compõem músicas ou executam instrumentos musicais sob ação dos Espíritos. Allan Kardec: O Livro dos Médiuns. Capítulo XVI, item 190.

  • Dentre os médiuns de efeitos intelectuais Kardec destaca, pela sua importância à época da elaboração da Codificação Espírita, os escreventes ou psicógrafos, classificando-os, entre outras variedades, em médiuns mecânicos, semimecânicos e intuitivos. Allan Kardec: O Livro dos Médiuns. Segunda Parte. Capítulo XVI, item 191.




SUGESTÕES DIDÁTICAS


Introdução:

  • Fazer breve exposição sobre a classificação dos médiuns — segundo o que está exposto em O Livro dos Médiuns — e as principais características dos diferentes tipos examinados por Kardec.


Desenvolvimento:

  • Pedir aos participantes, em seguida, que leiam os Subsídios deste roteiro, destacando os pontos considerados relevantes.

  • Enquanto os participantes realizam a leitura recomendada, afixar no mural da sala de aula dois cartazes intitulados, respectivamente:

    a) Médiuns de efeitos físicos;

    b) Médiuns de efeitos intelectuais.

  • Concluídas a afixação dos cartazes e a leitura, entregar, aleatoriamente, a cada participante uma tira de cartolina contendo as características dos diferentes tipos de médiuns.

  • Pedir à turma que colem a tira de cartolina recebida em um dos cartazes afixados no mural.

  • Após verificar se a montagem do mural está correta, solicitar a cada participante que faça breves comentários a respeito do tipo de médium que lhe coube examinar.


Conclusão:

  • Após os comentários, fazer considerações sobre o trabalho realizado, destacando os pontos relevantes.


Avaliação:

  • O estudo será considerado satisfatório, se os participantes fizerem a montagem do mural de forma correta, e tecerem comentários pertinentes sobre os tipos de médiuns e suas características.


Técnica(s):

  • Exposição; leitura; montagem de mural.


Recurso(s):

  • Subsídios deste roteiro; tiras de cartolina com frases sobre as características dos diferentes tipos de médiuns.



 

SUBSÍDIOS


Consoante o ensino de Allan Kardec, os […] médiuns apresentam numerosíssimas variedades nas suas aptidões, o que os toma mais ou menos próprios para obtenção de tal ou tal fenômeno, de tal ou tal gênero de comunicação. (15) Podem dividir se os médiuns em duas grandes categorias: Médiuns de efeitos físicos, os que têm o poder de provocar efeitos materiais, ou manifestações ostensivas. Médiuns de efeitos intelectuais, os que são mais aptos a receber e a transmitir comunicações inteligentes. […] Se analisarmos os diferentes fenômenos produzidos sob a influência mediúnica, veremos que, em todos, há um efeito físico e que aos efeitos físicos se alia quase sempre um efeito inteligente. Difícil é muitas vezes determinar o limite entre os dois, mas isso nenhuma consequência apresenta. Sob a denominação de médiuns de efeitos intelectuais abrangemos os que podem, mais particularmente, servir de intermediários para as comunicações regulares e fluentes. (2)


1. Médiuns de efeitos físicos

São os seguintes os principais médiuns de efeitos físicos, de acordo com a classificação adotada por Kardec (3):

Médiuns tiptólogos: aqueles pela influência dos quais se produzem os ruídos, as pancadas. Variedade muito comum, com ou sem intervenção da vontade.

Médiuns motores: os que produzem o movimento dos corpos inertes. […]

Médiuns de translações e de suspensões: os que produzem a translação aérea e a suspensão dos corpos inertes no espaço, sem ponto de apoio. Entre eles há os que podem elevar se a si mesmos. […]

Médiuns de efeitos musicais: provocam a execução de composições, em certos instrumentos de música, sem contacto com estes. […]

Médiuns de aparições: [o mesmo que médiuns de materializações] os que podem provocar aparições fluídicas ou tangíveis, visíveis para os assistentes. […]

Médiuns de transporte: os que podem servir de auxiliares aos Espíritos para o transporte de objetos materiais. Variedade dos médiuns motores e de translações. […]

Médiuns pneumatógrafos: os que obtêm a escrita direta. (3) Conforme seja maior ou menor o poder do médium, obtêm-se simples traços, sinais, letras, palavras, frases e mesmo páginas inteiras. Basta de ordinário colocar uma folha de papel dobrada num lugar qualquer, ou indicado pelos Espíritos, durante dez minutos, ou um quarto de hora, às vezes mais. (1)

Médiuns curadores: Consiste a mediunidade desta espécie na faculdade que certas pessoas possuem de curar pelo simples contacto, pela imposição das mãos, pelo olhar, por um gesto, mesmo sem o concurso de qualquer medicamento. Semelhante faculdade incontestavelmente tem o seu princípio na força magnética; difere desta, entretanto, pela energia e instantaneidade da ação, ao passo que as curas magnéticas exigem um tratamento metódico, mais ou menos longo. Todos os magnetizadores são mais ou menos aptos a curar, se sabem proceder convenientemente; dispõem da ciência que adquiriram. Nos médiuns curadores, a faculdade é espontânea e alguns a possuem sem nunca ter ouvido falar em magnetismo. (14)


2. Médiuns de efeitos intelectuais

A classificação adotada por Kardec para os médiuns de efeitos intelectuais é a seguinte:

Médiuns audientes: Esses ouvem os Espíritos; é, algumas vezes, como se escutassem uma voz interna que lhes ressoasse no foro íntimo; doutras vezes é uma voz exterior, clara e distinta, qual a de uma pessoa viva [encarnada]. Os médiuns audientes também podem conversar com os Espíritos. Quando se habituam a comunicar se com certos Espíritos, eles os reconhecem imediatamente pelo som da voz. (6)

Médiuns falantes: [o mesmo que psicofônicos] Os médiuns audientes, que nada mais fazem do que transmitir o que ouvem, não são propriamente médiuns falantes, os quais, as mais das vezes, nada ouvem. Com eles, o Espírito atua sobre os órgãos da palavra, como atua sobre a mão dos médiuns escreventes. […] Em geral, o médium falante se exprime sem ter consciência do que diz e diz amiúde coisas inteiramente fora do âmbito de suas ideias habituais, de seus conhecimentos e, até, fora do alcance da sua inteligência. Não é raro verem-se pessoas iletradas e de inteligência vulgar expressar se, em tais momentos, com verdadeira eloquência e tratar, com incontestável superioridade, de questões sobre as quais seriam incapazes de emitir, no estado ordinário, uma opinião. Se bem esteja perfeitamente acordado quando exerce a sua faculdade, raro é que o médium falante guarde lembrança do que disse. Nem sempre, porém, é integral a sua passividade. Alguns há que têm intuição do que dizem, no próprio instante em que proferem as palavras. (7)

Médiuns videntes: Dá-se esta qualificação às pessoas que, em estado normal e perfeitamente despertas, gozam da faculdade de ver os Espíritos. A possibilidade de vê-los em sonho resulta, sem contestação, de uma espécie de mediunidade, mas não são médiuns videntes, propriamente ditos. […] (8)

Médiuns sonambúlicos: Pode-se considerar o sonambulismo como uma variedade da faculdade mediúnica, ou, antes, são duas ordens de fenômenos que frequentemente se encontram ligados. O sonâmbulo age sob a influência do seu próprio Espírito; sua própria alma é que, em momentos de emancipação, vê, ouve e percebe além dos limites dos sentidos. O que ele exprime haure-o de si mesmo; suas ideias são, em geral, mais justas do que no seu estado normal, mais extensos os seus conhecimentos, porque livre se lhe acha a alma. Em suma, ele vive antecipadamente a vida dos Espíritos. O médium, ao contrário, é instrumento de uma inteligência estranha; é passivo e o que diz não vem do seu próprio eu. Em resumo: o sonâmbulo externa seus próprios pensamentos e o médium exprime os de outrem. (9)

Médiuns inspirados: Nestes médiuns, muito menos aparentes são do que nos outros os sinais exteriores da mediunidade; é toda intelectual e moral a ação que os Espíritos exercem sobre eles e se revela nas menores circunstâncias da vida, como nas maiores concepções. Sobretudo debaixo desse aspecto é que se pode dizer que todos são médiuns, porquanto ninguém há que não tenha Espíritos protetores e familiares a empregar todos os esforços por lhe sugerir salutares ideias. No inspirado, difícil muitas vezes se torna distinguir as ideias que lhe são próprias do que lhe é sugerido. A espontaneidade é principalmente o que caracteriza esta última. Nos grandes trabalhos da inteligência é onde mais se evidencia a inspiração. Os homens de gênio, de todas as categorias, artistas, sábios, literatos, oradores, são sem dúvida Espíritos adiantados, capazes, por si mesmos, de compreender e conhecer grandes coisas; ora, precisamente porque são considerados capazes, é que os Espíritos que visam à execução de certos trabalhos lhes sugerem as ideias necessárias, de sorte que na maioria dos casos eles são médiuns sem o saberem. Têm, contudo, vaga intuição de uma assistência estranha, porquanto aquele que apela para a inspiração nada mais faz do que uma evocação. […] (10) Médiuns de pressentimentos: Pessoas há que, em dadas circunstâncias, têm uma imprecisa intuição das coisas futuras. Essa intuição pode provir de uma espécie de dupla vista, que faculta se entrevejam as consequências das coisas presentes; mas, doutras vezes, resulta de comunicações ocultas, que fazem de tais pessoas uma variedade dos médiuns inspirados. (11) Médiuns proféticos: É igualmente uma variedade dos médiuns inspirados. ., Recebem, com a permissão de Deus e com mais precisão do que os médiuns de pressentimentos, a revelação das coisas futuras, de interesse geral, que eles recebem o encargo de tornar conhecidas aos homens, para lhes servir de ensinamento. De certo modo, o pressentimento é dado à maioria dos homens, para uso pessoal deles; o dom da profecia, ao contrário, é excepcional e implica a ideia de uma missão na Terra. (12)

Médiuns extáticos: os que, em estado de êxtase, recebem revelações da parte dos Espíritos. […]

Médiuns pintores [o mesmo que pictógrafos] ou desenhistas: os que pintam ou desenham sob a influência dos Espíritos. Falamos dos que obtêm trabalhos sérios, visto não se poder dar esse nome a certos médiuns que Espíritos zombeteiros levam a fazer coisas grotescas, que desabonariam o mais atrasado estudante. […]

Médiuns músicos: os que executam, compõem, ou escrevem músicas, sob a influência dos Espíritos. Há médiuns músicos, mecânicos, semimecânicos, intuitivos e inspirados, como os há para as comunicações literárias. (4)


Dentre os médiuns de efeitos intelectuais, Kardec destaca, pela sua importância à época da elaboração da Codificação Espírita, os escreventes ou psicógrafos, classificando-os segundo o modo de execução, segundo o desenvolvimento da faculdade, segundo o gênero e a particularidade das comunicações, segundo as qualidades físicas do médium, e segundo as qualidades morais do médium, conforme se encontra nos itens 191 a 195 do Capítulo XVI da segunda parte de O Livro dos Médiuns. Veremos aqui as principais características dos médiuns psicógrafos, considerando-se tão somente o modo de execução da sua faculdade, por apresentarem essas características os traços mais relevantes para a sua identificação.

A denominação de médium psicógrafo […] é dada a pessoas que escrevem sob a influência dos Espíritos. Assim como um Espírito pode atuar sobre os órgãos vocais de um médium falante e fazê-lo pronunciar palavras, também pode servir se da sua mão para fazê-lo escrever. A mediunidade psicográfica apresenta três variedades bem distintas: os médiuns mecânicos, os intuitivos e os semimecânicos. Com o médium mecânico, o Espírito lhe atua diretamente sobre a mão, impulsionando-a. O que caracteriza este gênero de mediunidade é a inconsciência absoluta, por parte do médium, do que sua mão escreve. O movimento desta independe da vontade do escrevente; movimenta-se sem interrupção, a despeito do médium, enquanto o Espírito tem alguma coisa a dizer, e para desde que este último haja concluído. Com o médium intuitivo, à transmissão do pensamento serve de intermediário o Espírito do médium. O outro Espírito, nesse caso, não atua sobre a mão para movê-la, atua sobre a alma, identificando-se com ela e imprimindo-lhe sua vontade e suas ideias.

A alma recebe o pensamento do Espírito comunicante e o transcreve. Nesta situação, o médium escreve voluntariamente e tem consciência do que escreve, embora não grafe seus próprios pensamentos. Torna-se frequentemente difícil distinguir o pensamento do médium do que lhe é sugerido, o que leva muitos médiuns deste gênero a duvidar da sua faculdade. Podem reconhecer se os pensamentos sugeridos pelo fato de não serem nunca preconcebidos; eles surgem à proporção que o médium vai escrevendo e não raro são opostos à ideia que este previamente concebera. Podem mesmo estar fora dos conhecimentos e da capacidade do médium. Há grande analogia entre a mediunidade intuitiva e a inspiração; a diferença consiste em que a primeira se restringe quase sempre a questões de atualidade e pode aplicar se ao que esteja fora das capacidades intelectuais do médium; por intuição pode este último tratar de um assunto que lhe seja completamente estranho. A inspiração se estende por um campo mais vasto e geralmente vem em auxílio das capacidades e preocupações do Espírito encarnado. Os traços da mediunidade são, de regra, menos evidentes.

O médium semimecânico, ou semi-intuitivo participa dos outros dois gêneros. No médium puramente mecânico, o movimento da mão independe da sua vontade; no médium intuitivo, o movimento é voluntário e facultativo. O médium semimecânico sente na mão uma impulsão dada mau grado seu, mas ao mesmo tempo tem consciência do que escreve, à medida que as palavras se formam. Com o primeiro, o pensamento vem depois do ato de escrever com o segundo, precede-o; com o terceiro, acompanha-o. (13)

Finalmente, Kardec inclui ainda, entre médiuns psicógrafos, os seguintes:

Médiuns polígrafos: aqueles cuja escrita muda com o Espírito que se comunica, ou aptos a reproduzir a escrita que o Espírito tinha em vida. […]

Médiuns poliglotas: [o mesmo que médiuns de xenoglossia] os que têm a faculdade de […] escrever [podem tais médiuns também falar], em línguas que lhes são desconhecidas. […] Médiuns iletrados: os que escrevem, como médiuns, sem saberem ler, nem escrever, no estado ordinário. (5)



Referências Bibliográficas:

1. KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Guillon Ribeiro. 74. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005. Segunda parte. Capítulo XIV, item 177, p. 219.

2. Idem - Capítulo XVI, item 187, p. 230.

3. Id. - Item 189, p. 231-232.

4. Id. - Item 190, p. 234-235.

5. Id. - Item 191, p. 235.

6. Idem - Obras Póstumas. Tradução de Guillon Ribeiro. 36. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005. Primeira parte. Capítulo II (Dos Médiuns), item 43, p. 60.

7. Id. - Item 44, p. 60-61.

8. Id. - Item 45, p. 61.

9. Id. - Item 46, p. 62.

10. Id. - Item 47, p. 62-63.

11. Id. - Item 48, p. 63.

12. Id. - Item 49, p. 63-64.

13. Id. - Item 50, p. 64-65.

14. Id. - Item 52, p. 66.

15. Idem - O Que é o Espiritismo. 51. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005. Capítulo II (Noções Elementares de Espiritismo), item 54 (Dos Médiuns), p. 170.


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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