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EADE — Estudo Aprofundado da Doutrina Espírita — Religião à luz do Espiritismo

TOMO I — CRISTIANISMO E ESPIRITISMO
Módulo II — O Cristianismo

Roteiro 10


O calvário, a crucificação e a ressurreição de Jesus


Objetivo: Relatar os principais acontecimentos ocorridos no calvário, na crucificação e na ressurreição de Jesus, interpretando-os à luz do entendimento espírita.



IDEIAS PRINCIPAIS

  • E os que prenderam Jesus o conduziram à casa do sumo sacerdote Caifás, onde os escribas e os anciãos estavam reunidos. Mateus, 26:57.

  • E foi Jesus apresentado ao governador, e o governador o interrogou, dizendo: És tu o Rei dos judeus? E disse-lhe Jesus: Tu o dizes. E, sendo acusado pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos, nada respondeu. Mateus, 27:11,12.

  • Disse-lhes Pilatos: Que farei, então, de Jesus, chamado Cristo? Disseram-lhe todos: Seja crucificado! O governador, porém, disse: Mas que mal fez ele? E eles mais clamavam, dizendo: Seja crucificado! Então, Pilatos, vendo que nada aproveitava, antes o tumulto crescia, tomando água lavou as mãos diante da multidão, dizendo: Estou inocente do sangue deste justo; considerai isso. E, respondendo todo o povo, disse: O seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos. Mateus, 27:22-25.

  • E, despindo-o, o cobriram com uma capa escarlate. E, tecendo uma coroa de espinhos, puseram-lha na cabeça e, em sua mão direita, uma cana; e, ajoelhando diante dele, o escarneciam, dizendo: Salve, Rei dos judeus! E, cuspindo nele, tiraram-lhe a cana e batiam-lhe com ela na cabeça. E, depois de o haverem escarnecido, tiraram-lhe a capa, vestiram-lhe as suas vestes e o levaram para ser crucificado. E, quando saíam, encontraram um homem cireneu, chamado Simão, a quem constrangeram a levar a sua cruz. E, chegando ao lugar chamado Gólgota, que significa Lugar da Caveira, deram-lhe a beber vinho misturado com fel; mas ele, provando-o, não quis beber. Mateus, 27:28-34.

  • E Jesus, clamando outra vez com grande voz. entregou o espírito. E eis que o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo; e tremeu a terra, e fenderam-se as pedras. Mateus, 27:50,51.

  • Após a crucificação e sepultamento do corpo de Jesus (Marcos, 15:27-37; 42-47), o Senhor ressuscita, aparecendo a Maria de Madalena, aos apóstolos e a alguns discípulos. (João, 20:11-31; 21:1-20)



 

SUBSÍDIOS


1. O calvário de Jesus


O calvário de Jesus começa quando ele é aprisionado, no Getsêmani (Horto das Oliveiras), no momento em que orava na companhia de Pedro, João, e seu irmão Tiago. (Lucas, 22:39; Mateus, 26:36-41; João, 18:1-11)

Nesse momento, os soldados e oficiais romanos chegam acompanhados de sacerdotes, assim como do apóstolo Judas Iscariotes. Este se aproxima do Mestre, beija-o na face para ser identificado pelas autoridades presentes. (Lucas, 22:47,48)

Em seguida à prisão de Jesus, os apóstolos se revelam apreensivos, temendo que alguma coisa ruim poderia lhes acontecer. Pedro, inclusive, nega conhecer Jesus quando, por três vezes, é inquirido, conforme Jesus tinha previsto. (Lucas, 22:54-62; João, 13:38)


A negação de Pedro serve para significara fragilidade das almas humanas, perdidas na invigilância e na despreocupação da realidade espiritual, deixando-se conduzir, indiferentemente, aos torvelinhos mais tenebrosos do sofrimento, sem cogitarem de um esforço legítimo e sincero, na definitiva edificação de si mesmas. (14)


A excelsitude do Espírito de Jesus é especialmente notada durante o seu calvário e crucificação. O amor e a renúncia são expressivamente demonstrados, sobretudo após a traição, a humilhação e o abandono a que foi submetido.


Poucos […] sabem partir, por algum tempo, do lar tranquilo, ou dos braços adorados de uma afeição, por amor ao reino que é o tabernáculo da vida eterna! Quão poucos saberão suportara calúnia, o apodo, a indiferença, por desejarem permanecer dentro de suas criações individuais, cerrando ouvidos à advertência do céu para que se afastem tranquilamente!… […] Os discípulos necessitam aprender a partir e a esperar onde as determinações de Deus os conduzam, porque a edificação do Reino do Céu no coração dos homens deve constituir a preocupação primeira, a aspiração mais nobre da alma, as esperanças centrais do espírito!… (9)


Aprisionado, Jesus foi conduzido pelos mensageiros dos sacerdotes, manietando-lhe as mãos, como se ele fosse um criminoso vulgar. (10)


Depois das cenas descritas com fidelidade nos Evangelhos, observamos as disposições psicológicas dos discípulos, no momento doloroso. Pedro e João foram os últimos a se separarem do Mestre bem-amado, depois de tentarem fracos esforços pela sua libertação.

No dia seguinte, os movimentos criminosos da turba arrefeceram o entusiasmo e o devotamento dos companheiros mais enérgicos e decididos na fé. As penas impostas a Jesus eram excessivamente severas para que fossem tentados a segui-lo. Da Corte Provincial ao palácio de Ântipas, viu-se o condenado exposto ao insulto e à zombaria. Com exceção do filho de Zebedeu, que se conservou ao lado de Maria até ao instante derradeiro, todos os que integravam o reduzido colégio do Senhor debandaram. Receosos da perseguição, alguns se ocultaram nos sítios próximos, enquanto outros, trocando as túnicas habituais, seguiam, de longe, o inesquecível cortejo, vacilando entre a dedicação e o temor.

O Messias, no entanto, coroando a sua obra com o sacrifício máximo, tomou a cruz sem uma queixa, deixando-se imolar, sem qualquer reprovação aos que o haviam abandonado na hora última. Conhecendo que cada criatura tem o seu instante de testemunho, no caminho de redenção da existência, observou às piedosas mulheres que o cercavam, banhadas em lágrimas: — “Filhas de Jerusalém, não choreis por mim; chorai por vós mesmas e por vossos filhos!…”

Exemplificando a sua fidelidade a Deus, aceitou serenamente os desígnios do céu, sem que uma expressão menos branda contradissesse a sua tarefa purificadora.

Apesar da demonstração de heroísmo e de inexcedível amor, que ofereceu do cimo do madeiro, os discípulos continuaram subjugados pela dúvida e pelo temor, até que a ressurreição lhes trouxesse incomparáveis hinos de alegria. (11)


Na manhã seguinte, Jesus é levado à presença de Pilatos, o governador romano da Galileia, para ser interrogado.


E Pilatos lhe perguntou: Tu és o Rei dos judeus? E ele, respondendo, disse-lhe: Tu o dizes. E os principais dos sacerdotes o acusavam de muitas coisas, porém ele nada respondia. E Pilatos o interrogou outra vez, dizendo: Nada respondes? Vê quantas coisas testificam contra ti. Mas Jesus nada mais respondeu, de maneira que Pilatos se maravilhava. Ora, no dia da festa costumava soltar-lhes um preso qualquer que eles pedissem. E havia um chamado Barrabás, que, preso com outros amotinadores, tinha num motim cometido uma morte. E a multidão, dando gritos, começou a pedir que fizesse como sempre lhes tinha feito. E Pilatos lhes respondeu, dizendo: Quereis que vos solte o Rei dos judeus? Porque ele bem sabia que, por inveja, os principais dos sacerdotes o tinham entregado. Mas os principais dos sacerdotes incitaram a multidão para que fosse solto antes Barrabás. E Pilatos, respondendo, lhes disse outra vez: Que quereis, pois, que faça daquele a quem chamais Rei dos judeus? E eles tornaram a clamar: Crucifica-o. Mas Pilatos lhes disse: Mas que mal fez? E eles cada vez clamavam mais: Crucifica-o. Então, Pilatos, querendo satisfazer a multidão, soltou-lhes Barrabás, e, açoitado Jesus, o entregou para que fosse crucificado. (Marcos, 15:2-15)


Antes da crucificação, os soldados conduziram Jesus ao Pretório, no interior do palácio governamental, e convocaram toda a coorte. Em seguida, vestiram-no de púrpura e tecendo uma coroa de espinhos, lha impuseram. E começaram a saudá-lo: Salve, rei dos judeus! E batiam-lhe na cabeça com um caniço. Cuspiam nele e, de joelhos, o adoravam. Depois de caçoarem dele, despiram-lhe a púrpura e tornaram a vesti-lo com as suas próprias vestes. (Marcos, 15:16-20)

Os transeuntes injuriavam-no, meneando a cabeça dizendo: Ah! tu, que destróis o Templo e em três dias o reedificas, salva-te a ti mesmo, descendo da cruz! Do mesmo modo, também os chefes dos sacerdotes, caçoando dele entre si e com os escribas diziam: A outros salvou, a si mesmo não pode salvar! O Messias, o Rei de Israel… que desça agora da cruz, para que vejamos e creiamos! E até os que haviam sido crucificados com ele o ultrajavam. (Marcos, 15:29-32)

Um dos malfeitores que suspensos à cruz insultava, dizendo: Não és tu o Cristo? Salva-te a ti mesmo, e a nós. Mas o outro, tomando a palavra, o repreendia: Nem sequer temes a Deus, estando na mesma condenação? Quanto a nós, é de justiça, pagarmos por nossos atos; mas ele não fez nenhum mal. E acrescentou: Jesus, lembra-te de mim, quando vieres com teu reino. Ele respondeu: Em verdade, te digo, que hoje estarás comigo no Paraíso. (Lucas, 23:39-43)


2. A crucificação de Jesus


Prosseguindo com os relatos do Evangelho, vimos que Pilatos entregou Jesus para ser crucificado. Ele saiu, carregando sua cruz e chegou ao chamado Lugar da Caveira — em hebraico, chamado Gólgota — , onde o crucificaram; e, com ele, dois outros: um de cada lado e Jesus no meio. Pilatos redigiu também um letreiro e o fez colocar sobre a cruz; nele estava escrito: “Jesus, Nazareno, rei dos judeus. […] E estava escrito em hebraico, latim e grego.” (João, 19:17-20)

Depois da crucificação os soldados repartiram entre eles, as vestes e a túnica de Jesus. Ora a túnica era inconsútil [peça inteira, sem costura]. “Disseram entre si: não a rasguemos, mas, lancemos sorte sobre elas, para ver de quem será.” (João, 19:23,24)

Perto da cruz permaneciam Maria, a mãe de Jesus, sua irmã, mulher de Clopas e Maria Madalena. Vendo Jesus a sua mãe e, próximo a ela, o apóstolo João, disse: “Mulher, eis aí o teu filho. Depois, disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa.” (João, 19:25-27)

Após a crucificação, alguns judeus não querendo permanecer mais tempo ali porque era o dia da Preparação da Páscoa, pediram a Pilatos para autorizar quebrassem as pernas dos crucificados, (Jesus e os dois ladrões). Os soldados, porém, transpassaram uma lança no corpo de Jesus, de onde jorrou sangue e água. (João, 19:31-34)

A ingratidão recebida por Jesus, após os inúmeros benefícios que proporcionou, nos conduzem a profundas reflexões. Percebemos, de imediato o sublime amor por todos nós.


O […] amor verdadeiro e sincero nunca espera recompensas. A renúncia é o seu ponto de apoio, como o ato de dar é a essência de vida. […] Todavia, quando a luz do entendimento tardar no Espírito daqueles a quem amamos, deveremos lembrar-nos de que temos a sagrada compreensão de Deus, que nos conhece os propósitos mais puros. (8)


Um pouco antes da sua morte, conforme foi mencionado, Jesus entrega Maria aos cuidados de João, filho de Zebedeu. Trata-se de outra valiosa lição, como todas as que o Mestre nos legou.


Ensinava […] que o amor universal era o sublime coroamento de sua obra. Entendeu que, no futuro, a claridade do Reino de Deus revelaria aos homens a necessidade da cessação de todo egoísmo e que, no santuário de cada coração, deveria existir a mais abundante cota de amor, não só para o círculo familiar, senão também para todos os necessitados do mundo, e que no templo de cada habitação permaneceria a fraternidade real, para que a assistência recíproca se praticasse na Terra, sem serem precisos os edifícios exteriores, consagrados a uma solidariedade claudicante. (12)


No momento da morte de Jesus, relata o Evangelho que, à hora sexta, surgiram trevas sobre a Terra, até a hora nona. Jesus, então, dando um grande grito, expirou. E o véu do Santuário (do Templo) se rasgou em duas partes, de cima a baixo. O centurião, que se achava bem defronte dele, vendo que havia expirado deste modo, disse: “Verdadeiramente, este homem era filho de Deus.” (Marcos, 15:33,37-39)

Quanto ao fenômeno das trevas, Kardec nos elucida:


É singular que tais prodígios, operando-se no momento mesmo em que a atenção da cidade se fixava no suplício de Jesus, que era o acontecimento do dia, não tenham sido notados, pois que nenhum historiador os menciona. Parece impossível que um tremor de terra e o ficar toda a Terra envolta em trevas durante três horas, num país onde o céu é sempre de perfeita limpidez, hajam podido passar despercebidos. A duração de tal obscuridade teria sido quase a de um eclipse do Sol, mas os eclipses dessa espécie só se produzem na lua nova, e a morte de Jesus ocorreu em fase de lua cheia, a 14 de Nissan, dia da Páscoa dos judeus. O obscurecimento do Sol também pode ser produzido pelas manchas que se lhe notam na superfície. Em tal caso, o brilho da luz se enfraquece sensivelmente, porém, nunca ao ponto de determinar obscuridade e trevas. Admitido que um fenômeno desse gênero se houvesse dado, ele decorreria de uma causa perfeitamente natural. […] Compungidos com a morte de seu Mestre, os discípulos de Jesus sem dúvida ligaram a essa morte alguns fatos particulares, aos quais noutra ocasião nenhuma atenção houveram prestado. Bastou, talvez, que um fragmento de rochedo se haja destacado naquele momento, para que pessoas inclinadas ao maravilhoso tenham visto nesse fato um prodígio e, ampliando-o, tenham dito que as pedras se fenderam. Jesus é grande pelas suas obras e não pelos quadros fantásticos de que um entusiasmo pouco ponderado entendeu de cercá-lo. (1)


Em relação aos sofrimentos de Jesus, Emmanuel acrescenta:


A dor material é um fenômeno como o dos fogos de artifício, em face dos legítimos valores espirituais. Homens do mundo, que morreram por uma ideia, muitas vezes não chegaram a experimentar a dor física, sentindo apenas amargura da incompreensão do seu ideal. Imaginai, pois, o Cristo, que se sacrificou pela Humanidade inteira, e chegareis a contemplá-Lo na imensidade da sua dor espiritual, augusta e indefinível para a nossa apreciação restrita e singela. (13)

Ainda na tormenta dos seus últimos instantes, seu ânimo era de paciência, de benignidade, de compaixão. Já pregado na cruz, tendo o corpo e a alma lanceados, com os pregos a lhe dilacerarem as carnes, e os acúleos da ingratidão a lhe ferirem o espírito, vendo a seus pés, indiferentes ou raivosos, aqueles a quem abençoara, protegera, ensinara e curara, pedia ao Pai que lhes perdoasse, porque eles não sabiam o que estavam fazendo. E assim partiu o Salvador da Humanidade. Este homem, este herói, este mártir, este santo, este Espírito excelso foi que regou com suas lágrimas e seu sangue a árvore hoje bendita do Cristianismo. (6)


3. A ressurreição de Jesus


Os exemplos de Jesus são roteiros que nos ensinam agir perante as provas. No sábado, Maria de Magdala e Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram aromas param irem ungir o corpo. De madrugada, no primeiro dia da semana, elas foram ao túmulo ao nascer do Sol. E diziam entre si: “Quem rolará a pedra da entrada do túmulo para nós?” E erguendo os olhos, viram que a pedra fora removida. Ora, a pedra era muito grande. Tendo entrado no túmulo, elas viram um jovem sentado à direita, vestido com uma túnica branca, e ficaram cheias de espanto. Ele, porém, lhes disse: “Não vos espanteis! Procurais Jesus de Nazaré, o Crucificado. Ressuscitou, não está aqui. Vede o lugar onde o puseram. Mas ide dizer aos seus discípulos e a Pedro que ele vos precede na Galileia. Lá o vereis, como vos tinha dito. (Marcos, 16:1-7)

Estava, então, Maria junto ao sepulcro, de fora, chorando. Enquanto chorava, inclinou-se para o interior do sepulcro e viu dois anjos, vestidos de branco, sentados no lugar onde o corpo de Jesus fora colocado, um à cabeceira e outro aos pés. Disseram-lhe então: “Mulher, por que choras?” Ela lhes diz: “Porque levaram meu Senhor e não sei onde o puseram!” Dizendo isso, voltou-se e viu Jesus de pé. Mas não sabia que era Jesus. Jesus lhe diz: Mulher, por que choras? A quem procuras? Pensando ser o jardineiro, ela lhe diz: Senhor, se foste tu que o levaste, dize-me onde o puseste e eu o irei buscar!” Diz-lhe Jesus: Maria! Voltando-se, ela lhe diz em hebraico: Rabboni!, que quer dizer Mestre. Jesus lhe diz: Não me toques, pois ainda não subi ao Pai. Vai, porém, a meus irmãos e dize-lhes: Subo a meu Pai e vosso Pai; a meu Deus e vosso Deus. Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: Vi o Senhor, e as coisas que ele lhe disse. (João, 20:11-18)


Todos os evangelistas narram as aparições de Jesus, após sua morte, com circunstanciados pormenores que não permitem se duvide da realidade do fato. Elas, aliás, se explicam perfeitamente pelas leis fluídicas e pelas propriedades do perispírito e nada de anômalo apresentam em face dos fenômenos do mesmo gênero, cuja história, antiga e contemporânea, oferece numerosos exemplos, sem lhes faltar sequer a tangibilidade. Se notarmos as circunstâncias em que se deram as suas diversas aparições, nele reconheceremos, em tais ocasiões, todos os caracteres de um ser fluídico. (2)


A ressurreição do Cristo nos oferece oportunas lições.


Jesus, […] essa alma poderosa, que em nenhum túmulo poderia ser aprisionada, aparece aos que na Terra havia deixado tristes, desanimados e abatidos. Vem dizer-lhes que a morte nada é. Com a sua presença lhes restitui a energia, a força moral necessária para cumprirem a missão que lhes fora confiada. As aparições do Cristo são conhecidas e tiveram numerosos testemunhos. Apresentam flagrantes analogias com as que em nossos dias são observadas em diversos graus, desde a forma etérea, sem consistência, com que aparece à Maria Madalena e que não suportaria o mínimo contacto, até a completa materialização, tal como a pôde verificar Tomé, que tocou com a própria mão as chagas do Cristo. (3)


Após a aparição a Maria Madalena, Jesus reencontra os discípulos: fechadas as portas onde se achavam os discípulos, por medo dos judeus, Jesus veio e, pondo-se no meio deles, lhes disse: “A paz esteja convosco!” Tendo dito isso, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos, então, ficaram cheios de alegria por verem o Senhor. Ele lhes disse de novo: “A paz esteja convosco! Como o Pai me enviou também eu vos envio”. Dizendo isso, soprou sobre eles e lhes disse: “Recebei o Espírito Santo”. Aqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; aqueles aos quais retiverdes ser-lhes-ão retidos. Um dos Doze, Tomé, chamado Dídimo, não estava com eles, quando veio Jesus. Os outros discípulos, então, lhe disseram: Vimos o Senhor! Mas ele lhes disse: Se eu não vir em suas mãos o lugar dos cravos e se não puser meu dedo no lugar dos cravos e minha mão no seu lado, não crerei. Oito dias depois, achavam-se os discípulos, de novo, dentro da casa, e Tomé com eles. Jesus veio, estando as portas fechadas, pôs-se no meio deles e disse: A paz esteja convosco! Disse depois a Tomé: Põe teu dedo aqui e vê minhas mãos! Estende tua mão e põe-na no meu lado e não sejas incrédulo, mas crê! Respondeu-lhe Tomé: Meu Senhor e meu Deus! Jesus lhe disse: Porque viste, creste. Felizes os que não viram e creram! (João, 20:19-29)


Jesus aparece e desaparece instantaneamente. Penetra numa casa a porta fechadas. Em Emaús conversa com dois discípulos que o não reconhecem, e desaparece repentinamente. Acha-se de posse desse corpo fluídico, etéreo, que há em todos nós, corpo sutil que é o invólucro inseparável de toda alma e que um alto Espírito como o seu sabe dirigir, modificar, condensar, rarefazer à vontade. E a tal ponto o condensa, que se torna visível e tangível aos assistentes. (4)


As provas da ressurreição de Jesus são incontestáveis. Não há como ter dúvidas.


As aparições diárias de Jesus àquela gente que deveria secundá-lo no ministério da Divina Lei, haviam abrasado seus corações; e seus suaves e edificantes ensinamentos, cheios de mansidão e humildade, tinham exaltado aquelas almas, elevando-as às culminâncias da espiritualidade, saneando-lhes o cérebro e preparando-os, vasos sagrados, para receber os Espíritos santificados pela Palavra, como antes lhes havia ele prometido, conforme narra o Evangelista João. […] Avizinhava-se o momento da partida. Ele iria, mas com ampla liberdade de ação. Sempre que lhe aprouvesse viria observar o movimento que se teria de operar entre as “ovelhas desgarradas de Israel”, as quais ele queria reconduzir ao “sagrado redil”. […] Deveriam os discípulos identificar-se com o Espírito e conhecer o Espírito de Verdade, para, com justos motivos, anunciar às gentes, a Nova da Salvação que libertá-las-ia do mal. (7)


Todos esses acontecimentos, relatados pelos evangelistas depois da crucificação de Jesus, servem de base para o conhecimento histórico do Cristianismo, daí ter Paulo afirmado: “Se o Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé.”


O Cristianismo não é uma esperança, é um fato natural, um fato apoiado no testemunho dos sentidos. Os apóstolos não acreditavam somente na ressurreição; estavam dela convencidos. […] O Cristo, porém, lhes apareceu e a sua fé se tornou tão profunda que, para a confessar, arrostaram todos os suplícios. As aparições do Cristo depois da morte asseguraram a persistência da ideia cristã, oferecendo-lhe como base todo um conjunto de fatos. (5)



ORIENTAÇÃO AO MONITOR: Introduzir o tema por meio de breve exposição. Formar grupos para estudo e resumo das principais ideias relativas ao calvário, à crucificação e à ressurreição de Jesus.



Referências:

1. KARDEC, Allan. A Gênese. Tradução de Guillon Ribeiro. 50. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. Capítulo 15, item 55, p. 392-393.

2. Idem - Item 61, p. 349.

3. DENIS, Léon. Cristianismo e Espiritismo. Tradução de Leopoldo Cirne. 12. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2004. Capítulo 5 (Relações com os espíritos dos mortos), p. 53-54.

4. Idem, ibidem - p. 54.

5. Idem, ibidem - p. 54-55.

6. IMBASSAHY, Carlos. Religião. 5. ed. Rio de Janeiro: FEB. 2002. Capítulo: O Espiritismo entre as religiões, item: (O Cristo), p. 204.

7. SCHUTEL, Cairbar. Parábolas e Ensinos de Jesus. 20. ed. Matão, SP: O Clarim. 2004. Capítulo: A ressurreição — o espírito e a fé, p. 340.

8. XAVIER, Francisco Cândido. Boa Nova. Pelo Espírito Humberto de Campos 33. ed. Rio de Janeiro: FEB. 2005. Capítulo12 (Amor e renúncia), p. 82.

9.  Idem, ibidem - p. 84.

10. Idem - Capítulo 27 ( A Oração do Horto), p. 181

11. Idem - Idem, ibidem, p. 181-182.

12. Idem - Capítulo 30 (Maria), p. 198-199.

13.  Idem - O Consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 26. ed. Rio de Janeiro: FEB. 2006. Questão 287, p. 169-170.

14.  Idem - Questão 320, p. 183.


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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