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Cruz e Sousa


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João da CRUZ E SOUZA — Filho de pais escravos, Cruz e Souza é a figura mais expressiva do Simbolismo no Brasil e, ao lado de Mallarmé e Stefan George, um dos grandes nomes do movimento simbolista no mundo, segundo Roger Bastide. “Tinha” — escreveu seu grande amigo Virgílio Várzea (apud A. Muricy, Pan. Mov. Simb. Bras., I, pág. 98) — “uma grande paixão pelas ideias humanitárias, e serviu-as sempre, como um fanático, sem se poupar sacrifícios, na tribuna, em praça pública e principalmente no jornalismo.” Tendo sofrido acerbas provações, naturalmente dentro das dívidas cármicas, o grande poeta continua, hoje, em afanosa luta pela difusão das “ideias humanitárias”, entre as quais agora incluiu o Espiritismo e o Esperanto, a corroborar que a vida, com efeito, não cessa no túmulo. Principalmente no setor esperantista, o artista de Faróis é uma personalidade atuante na Espiritualidade. Em 1961, ano em que se comemorou, em todo o Brasil, o primeiro centenário de seu nascimento, os mais representativos centros culturais do País lhe tributaram mil e uma homenagens, culminando com a publicação de suas Obras Completas, organizadas por Andrade Muricy, em primorosa apresentação, pela Editora José Aguilar Ltda. A extraordinária produção do genial poeta provocou, dos que o rodeavam, os epítetos de “Cisne Negro”, “Dante Negro”, “Poeta Negro”, epítetos — diz A. Muricy (op. cit., pág. 101) “compreendidos no senso mais elevado e consecratório de tais expressões”. (Desterro, hoje Florianópolis, SC, 24 de Novembro de 1861 — Sítio, atual Antônio Carlos, Minas Gerais, 19 de Março de 1898.)

BIBLIOGRAFIA: Broquéis ; Evocações; Faróis; Últimos Sonetos; etc. (Ani)


CRUZ E SOUSA (João da) — (1861-1898) Poeta brasileiro, nascido em Desterro, hoje Florianóplolis, SC, e falecido em Mg. Filho de escravos alforriados, educado pelos antigos senhores de seus pais, estudou no Ateneu Provincial Catarinense, foi professor e jornalista. Como secretário e ponto, percorreu o Brasil com a companhia teatral Julieta dos Santos (1882-83). Redigiu em Florianópolis com seu amigo Virgílio Várzea o jornal abolicionista a Tribuna Popular. Em 1885 funda o jornal O Moleque. Em 1890 fixa-se no rio como jornalista na Folha Popular, na Cidade do Rio, no Novidades. Casa-se, em 1893, com Gavita Rosa Gonçalves, também de raça negra. É nomeado arquivista da EFCB. Morre no dia seguinte ao da chegada e o corpo é transladado ao Rio num vagão de cavalos. Sua obra o situa entre os mais representativos do Brasil; considerado o expoente do simbolismo. Deixou, em verso: Broquéis (1893), Faróis (1900), Últimos Sonetos (1905); em prosa: Tropos e Fantasias (em colaboração com Virgílio Várzea, 1885), Missal (1993), Evocações (1898). Suas Obras Poéticas foram publicadas pelo INL (1945), e a Obra Completa em 1961. (Enciclopédia Séc. XX., José Olympio Editora — Editora Expressão e Cultura. Rio de Janeiro. s.d.)


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