Bíblia do CaminhoTestamento Xavieriano

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Relicário de luz — Autores diversos


11


Depois da separação

1 Mamãe e papai: Trazendo-lhes meu coração, como acontece em todos os dias, estou aqui reafirmando nossas preces habituais a Jesus.

2 Se é possível misturar felicidade com saudade, sinto-me infinitamente feliz.

3 Nosso amor venceu a morte. Nossa fé venceu a dor.

4 Em verdade, qual acontece ao papai, tenho lágrimas nos olhos, contudo lágrimas de alegria porque nos reencontramos no mundo vasto.

5 A Bênção Divina marcou as nossas esperanças e chegamos a essa bendita integração espiritual em que nos continuamos uns nos outros.

6 Pouco a pouco, recupero as recordações de tudo o que a vida relegou para trás.

7 Nossos laços carinhosos de hoje são flores de abençoada luz que se farão frutos de progresso na Espiritualidade, em futuro próximo; mas, lá no fundo da linha vertical do destino por onde nos elevamos em busca de Deus, jazem as raízes do pretérito ditando as razões da nossa luta de agora.

8 Não existe problema sem o começo necessário; não existe sofrimento cujas causas não se entrelacem a distância.

9 Respeitemos a provação que nos separou e louvemo-la pelo tesouro de claridades sublimes que nos trouxe.

10 Não fosse a noite e jamais saberíamos identificar a glória do dia.

11 A morte pode ser a morte para muitos; mas para nós foi ressurreição numa era nova. Dela extraímos a riqueza de uma vida superior que naturalmente nos guia os impulsos de conhecimento ao encontro da Humanidade Maior.

12 Graças a Deus tenho aprendido algo. A criança que conheceram sente-se, hoje, companheiro e amigo, devedor insolúvel nas estradas eternas.

13 A bondade do Senhor, com o carinho que recebo de ambos, operou em mim o milagre de uma compreensão mais enobrecida.

14 Somos associados de muitas empresas, batalhadores de muitos combates, irmãos de ideal e de alegria, de aflição e de luta em muitas jornadas na Terra…

15 Quisera que as energias condensadas da carne, por instantes, fugissem à lei que as governa, a fim de revelar-lhes, assim como na luz de um relâmpago, os quadros imensos da retaguarda…

16 Entretanto, as circunstâncias são a vontade justa do Senhor e devemos respeitá-las.

17 Por muito se demorem na carne, separa-nos tão somente um breve hoje.

18 Das sombras que abraçam o pó do mundo, emergimos cantando a felicidade de nossa inalterável comunhão. Até lá, porém, é imprescindível trabalhemos.

19 Nossos dias de angústia e de perplexidade passaram, como passaram as primeiras horas de ansiedade em que as nossas notícias mútuas eram como que o único alimento capas de saciar-nos a alma atormentada…

20 Agora, temos um campo enorme à frente do coração. Campo de serviço que em suas mínimas particularidades nos requisita à plantação de novos destinos. Começa na família e espraia-se, infinito, no território das vidas diferentes que se ligam às nossas por misteriosos elos do espírito.

21 Não se sintam sozinhos, não sofram, não lastimem… Estamos juntos hoje quanto ontem, à procura de nossas sublimes realizações.

22 Compreendo as dificuldades que ainda interferem com os nossos desejos. Entretanto, rogo-lhes coragem.

23 Doando nossas disponibilidades espirituais, ao tempo, através da nossa aplicação incessante com o bem, do tempo recebemos a quitação de nossos débitos, porque a Divina Providência nos entrega, por intermédio dele, os trabalhos que precisamos efetuar, a benefício de nossa própria felicidade.

24 Confiemos no Cristo para que o Cristo confie em nós.

25 O sonho de solidariedade humana que nos vibra no peito não é uma luz que esteja nascendo, de improviso, no vaso de nossos sentimentos. Vem de longe, de muito longe… E, tão grande é a importância de que se reveste, que a dor veio ao nosso encontro, despertando-nos para a divina edificação.

26 Saciedade no mundo é prejuízo de nossa alma.

27 É por isso que Jesus preferiu o madeiro do sacrifício, com a incompreensão dos homens e com a sede de amor. Rejubilemo-nos no calvário de nossa paixão por maiores luzes. A subida é áspera para quem deseja o ar puro dos cimos.

28 Continuemos caminhando sob a inspiração do nosso Divino Mestre. É tudo o que poderemos fazer de melhor. 29 De nós mesmos, atentos à insegurança de nossas aquisições, nosso passo seria vacilante entre a luz e a sombra, entre o bem e o mal… Com Cristo, porém, cessam as dúvidas. 30 O sacrifício de nossos desejos aos desígnios do Céu é a chave de nossa felicidade real.

31 Mamãe, à vovó envio o meu pensamento muito carinhoso, com lembranças a todos de casa.

32 Envolvendo-os assim, em meu coração e em meu carinho, beija-lhes as mãos entrelaçadas com as minhas o filho saudoso e reconhecido que, em cada dia, lhes segue afetuosamente os passos.


.Carlos Augusto

[Carlos Augusto Ferraz de Lacerda]


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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