Bíblia do CaminhoTestamento Xavieriano

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Presença de Chico Xavier — Depoimentos diversos / Mensagens familiares


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Depoimento do General R. P. Michelena

CHICO XAVIER

A propósito da atividade mediúnica de Francisco Cândido Xavier, eis o que disse o General R. P. Michelena: n

“Em 1931, enquanto ultimávamos o Curso do Instituto Geográfico Militar, desfrutávamos a preciosa amizade de Manuel Quintão, vice-presidente da Federação Espírita Brasileira. Um dia, após o almoço conjunto, fomos à sala daquela instituição onde ele atendia o receituário homeopático a seu cargo e que secretariávamos. Na correspondência, sobre a mesa, um enorme envelope recheado, despertando-nos a curiosidade. Aberto, verificou-se ser o remetente um jovem mineiro de 21 anos de idade. Dizia ele: “Sr. Quintão: tenho deficiente instrução primária, o que não me impede de perpetrar alguns versos de pé quebrado. Sucede, porém, que, há alguns anos, mas especialmente agora, ao termo de sessões mediúnicas de cura de um parente próximo, venho recebendo vasta coletânea de versos cuja autoria não é minha, mesmo porque, em suas assinaturas, figuram nomes de consagrados poetas brasileiros e portugueses, já mortos. Sabendo-o filólogo e também poeta, venho pedir-lhe valioso testemunho seu, em relação à eventual fidelidade dos variados estilos daqueles autores. Isso porque, repito, os versos, em absoluto, não são meus — uma vez que nenhum esforço mental me exigiram, salvo quanto à simples grafia intuitiva e semimecânica.”

Quintão, pela primeira vez, no Rio, leu para nós aquelas joias poéticas de um Augusto dos Anjos, um Casimiro, um Guerra Junqueiro, um Castro Alves… Entusiasmado, saiu pelas salas contíguas, a deliciar, com aquelas primícias, os companheiros presentes. Resposta para o Chico: — “Mande tudo que tiver aí! São legítimos os estilos dos versos. Quero-os para a primeira edição do “Parnaso de Além-Túmulo” que, se Deus quiser, sairá muito breve!”

Hoje, o “Parnaso”, já em sétima, n constitui, no Brasil e no mundo, uma das provas máximas da sobrevivência dos nossos espíritos. Zeferino Brasil, já entrado em anos, era ainda colaborador emérito do “Correio do Povo”. Levamos-lhe, aqui em Porto Alegre, o livro — e ele aproveitou uma de suas crônicas dominicais para memorável testemunho da veracidade estilística daqueles autores, vindos do Astral — usuários da florescente psicografia do Chico. Resumiu assim o seu depoimento: — “Desconheço os fenômenos, mas reconheço os estilos. Isso espanta-me, mas encanta-me!”

Chico passou a receber de tudo e de todos. Mas o luminoso espírito de Emmanuel monopoliza-lhe, por alguns anos, a mediunidade ímpar. Dá-lhe o fabuloso romance “Há Dois Mil Anos…” que é sua própria autobiografia, de quando ele, Emmanuel, fora, ao tempo do Cristo, procônsul romano, na Palestina. O enredo, a beleza e os ensinamentos cristãos desse livro, asseguram-lhe lugar culminante na literatura brasileira. É um retificador de almas! Segue-se, entre muitos outros, o épico romance “Paulo e Estêvão”.

Vem depois André Luiz compartilhar da pena do médium, e surgem meia dúzia de obras, documentando a vida nos círculos astrais circunvizinhos da Terra e suas relações com esta. “Nosso Lar” foi a primeira delas, a exigir de médicos e fisiologistas estupefatos. — dicionários técnicos os mais modernos, para melhor compreensão.

“O Consolador”, há anos, fascinou o nosso venerando confrade Dr. Egídio Hervé, então Magnífico-Reitor da URGS. Em inesquecíveis palestras da “Hora Espírita” ele pôs ao alcance do público, as preciosas revelações filosóficas e científicas nele contidas.

Novamente Emmanuel dá-nos uma série de livros de cabeceira: “Pão Nosso”, “Caminho, Verdade e Vida”, “Fonte Viva”, etc. São comentários, em página única, dos ensinamentos mais substanciais do Cristo e dos Apóstolos, esmolas celestes, balsâmicas para almas traumatizadas. A alta direção do “Correio do Povo”, convicta do seu elevado teor educativo, nos campos individual e social, há mais de um ano vem — através da coluna da Federação Espírita do Rio Grande do Sul, proporcionando a divulgação dominical desse tesouro cristão.

É esta uma rápida apreciação da monumental bibliografia de Francisco Cândido Xavier que agora completa quarenta anos de intermediação entre os dois mundos, nos quais nossos próprios espíritos devem atuar e evoluir por força da Lei Divina. Representa ela a homenagem que, com amável aquiescência dessa Redação, desejamos prestar a uma individualidade excepcional que honra a comunidade brasileira. Asceta simples e puro, trabalhador altruísta e incansável — sob esse singelo diminutivo Chico — há um Gigante da Espiritualidade.


.R. P. Michelena”


.Elias Barbosa



[1] “Correio do Povo”, de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, de 13-6-1967.


[2] Atualmente, encontra-se em 10ª edição.


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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