Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

Excursão de paz — Autores diversos


16


Droga na cantiga

  1 Cantando por encomenda

  Do apreço de muita gente,

  Assunto dos mais difíceis

  Tenho hoje pela frente:

  A droga em veneno doce

  Na vida do adolescente.


   2 Amigos, além da morte

  Lastimam a derrocada…

  Tanto rapaz quase louco,

  Tanta menina largada!…

  São milhares de esperanças

  Que vão caindo na estrada.


   3 Por que tanta gente moça

  Atolada em cocaína?

  Tanto grupo de maconha

  Traficando em tanta esquina?

  Pensando nisso, sem Deus,

  Qualquer sábio desatina.


   4 No estudo assim tão difícil,

  É preciso ponderar:

  Essa fuga para as drogas

  Onde é que foi começar?

  As raízes do problema

  Estão por dentro do lar.


   5 Examinando a questão,

  Quando nela me concentro,

  No homem, vejo a fachada,

  Na mulher, encontro o centro;

  O homem lida por fora,

  A mulher constrói por dentro.


   6 Para achar as grandes mães,

  Não preciso luz acesa,

  A Terra deve à mulher

  A sua própria grandeza,

  Mãe, esposa, irmã e filha

  São luzes da natureza.


   7 Entretanto, antigamente,

  Nossas mães em maioria

  Suportavam sofrimento

  Com serena valentia

  E pela renúncia delas

  O mundo se garantia.


   8 Mesmo que o homem trocasse

  O amor por perturbação,

  A mulher, junto aos meninos,

  Era luz e coração,

  Aceitando sacrifícios

  Tão amargos, tais quais são.


   9 Os pequenos, junto delas,

  Envolviam-se de amor,

  Nossas mães pela criança

  Não viam lama, nem dor…

  A meninada crescia

  Em clima superior.


   10 Que o homem se mergulhasse

  Em traição a granel,

  A mulher, dentro de casa,

  Engolia fogo e fel;

  Resguardando o próprio lar,

  Ao lar, vivia fiel.


   11 Mas hoje, muitas irmãs

  Se o homem cai uma vez,

  Elas procuram distância

  Para caírem mais três;

  Quando um homem diz: “Eu truco”,

  Elas gritam: “Vale seis”.


   12 Sempre existiram crianças

  Roubadas, tristes, cativas,

  No entanto, agora assinalo,

  Sem receios e evasivas:

  Os meninos que mais sofrem

  São os órfãos de mães vivas.


   13 Se um homem larga o dever,

  Em atitude insincera,

  Muita mulher grita logo:

  “Fidelidade já era…”

  Deixa a casa e perde o nome

  Para chamar-se pantera.


   14 Sem mãe amiga que a ouça

  Nas lutas em que se afoga,

  Para as sombras da aventura

  A meninada se joga;

  A solidão pede fuga

  E surgem droga e mais droga.


   15 Da mulher é que se espera

  Mais atenção com Jesus

  Para salvar os mais jovens

  Do veneno que os seduz,

  Porque homem — homem mesmo —

  Por si, nunca deu à luz.


.Leandro Gomes de Barros


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

.

Abrir