Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

Doutrina e aplicação — Autores diversos


19


Sementeira

1 Abre-se a floresta até então intransitável e densa. Definem-se dificuldades, pântanos, espinheiros…

2 O semeador, porém, não se confia ao desânimo. Traça planos. Ataca o serviço. Realiza o milagre.

3 De início, é o desbravar. Em seguida, surgem os imperativos de preparação do solo e de seleção dos recursos.

4 A cova minúscula e escura recebe a semente pequenina, que perde os envoltórios com a colaboração do tempo.

5 Só então, é possível a promessa do grelo tenro. Todavia, não param aí os desvelos e as vigílias do semeador.

6 Hoje, é necessário proteger a plantinha frágil contra o esmagamento; amanhã, é imprescindível furtá-la ao assédio dos vermes destruidores.

7 Agora, pede a lavoura iniciante adequada medida contra a canícula rigorosa; depois, reclama providências que a salvem do aguaceiro.

8 A fronde, a flor e o fruto representam, no entanto, o precioso prêmio.


9 Assim também, é a sementeira espiritual.

10 Nas profundezas da mente inculta caem os princípios da Divina Sabedoria.

11 Ninguém exija, contudo, o resultado absoluto num instante.

12 Quantos séculos teremos despendido, na formação da selva de nossos instintos e de nossos caprichos obscuros?

13 O serviços de adaptação e educação reclama tempo e paciência para que a colheita do conhecimento e do amor, em cada alma, enriqueça os celeiros da Terra.


14 Não esperemos que o nosso companheiro de experiência nos ofereça a perfeição impraticável de um momento para outro.

15 Se procuramos o Cristo, gravemos as lições d’Ele, em nós mesmos, antes de impô-las aos semelhantes.

16 Adubemos o solo dos corações com a luz do bom exemplo, com a bênção da fraternidade, com a flor do estímulo e com o silêncio da compreensão.

17 Não firamos, onde não possamos auxiliar.

18 O Sol resplandece sem palavras, curando as chagas do Planeta.

19 A fonte rola cantando, sem acusações, colada ao dorso da Terra.

20 O vento fecunda a natureza, sem exigências.


21 Amemos sempre. O coração que se devota à fraternidade não usa o poder do verbo para denegrir ou dilacerar.

22 Passemos auxiliando.

  23 Compadeçamo-nos do cardo que ainda conserva aguçados acúleos.

  24 Compadeçamo-nos das ervas envenenadas, que ainda não conseguiram modificar a própria seiva.

  25 Compadeçamo-nos das árvores infelizes, cujos galhos ressecaram pela pobreza do ambiente em que nasceram.


26 A senda é longa. A romagem solicita o esforço das horas incessantes.

27 Sigamos improvisando o bem, por onde passarmos.

28 Guarde a nossa luta a sublime experiência do semeador.

29 Compreendamos o cipoal, auxiliemos o chão duro do destino e aproveitemos a lama da estrada para o bem geral, projetando na terra das almas as sementes benditas que o Mestre nos confiou.

30 E, esperemos o tempo, de vez que o tempo é o patrimônio da Divina bondade que na esteira dos dias, dos anos e dos séculos, nos oferecerá sempre à colheita de nossa vida, segundo as nossas próprias obras.


.André Luiz


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

.

Abrir