Bíblia do CaminhoTestamento Xavieriano

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Cartas do Alto — Autores diversos


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Mensagens de Engrácia Ferreira n

I


1 Filhos, que Deus vos abençoe.

Não sei como hei de agradecer a Jesus a graça divina de poder vir falar-vos esta noite guiada pelos seus santos mensageiros. 2 Faz bem poucos dias que a morte me arrebatou do convívio da família, mas, graças a Deus, longa foi a minha preparação para o desenlace. 3 Minhas palavras, meus filhos, eu as dirijo a todos, mas, em particular, à minha inesquecível Julinha, que deixei continuando a tarefa na qual empreguei os meus esforços dos derradeiros dias terrestres. n

4 Graças a Deus, minha Julinha, aqui estou de novo a conversar contigo e quero que digas aos nossos teimosos que a tia Engracinha está mais viva que nunca. n Sinto ainda uma grande fraqueza e pareço mais uma ave que está dando os primeiros voos fora do ninho, mas sinto-me mais ágil; a vista, sinto-a melhorada, e todos os demais órgãos do meu corpo espiritual parece que vão trabalhando com mais facilidade, supondo-me restabelecida e remoçada.

5 Não avalias quanta coragem e quanta fé precisei guardar para o último instante. Nos meus derradeiros dias, sentia intimamente grande pesar em virtude da tua ausência involuntária e procurei organizar as coisas de maneira que me entendesses quando voltasses para casa. Felizmente, porém, o nosso divino Salvador não me deixou partir sem te ver ainda uma vez com os olhos da minha carne envelhecida e inutilizada.

6 Naquelas últimas horas, quando ia entrando o meu cérebro num estado de confusão e de semi-inconsciência, notei que se ia formando junto de mim uma nuvem esbranquiçada e somente depois vim a saber que eram os meus próprios fluidos espirituais, que, aos poucos, se iam desprendendo do corpo cansado da luta. 7 Assustei-me com todas essas emoções, mas pareceu-me que mãos enérgicas e fortes me submetiam a passes magnéticos, trazendo-me um sono bom, e desejei ansiosamente dormir, sossegar o coração abatido nas penas da Terra.

8 Graças a Deus, minha Julinha, tudo passou-se bem. Ainda estou sem saber definir as coisas que me rodeiam, mas tive a ventura de ver o meu Daniel, a Júlia, o Antônio e outras pessoas caras aos nossos Espíritos.

9 Tenho procurado ser forte o mais possível, mas apesar de ter estado na Terra quase um século, e reconhecendo a minha necessidade de vida nova, ainda fico preocupada, muito preocupada com a minha querida neta e com todas e todos os demais, tão apegados comigo.

10 Deus velará por todos. Ora por mim e faze, em meu nome, esse pedido a todos os da família.

11 Começo agora a aproveitar das sementes de sacrifício da Terra. As lágrimas daí, minha boa sobrinha, são os risos daqui. Nunca temas o sofrimento.

12 Meus filhos, Deus vos abençoe. Pedi a Jesus pelo meu Espírito. Vossas preces me fortificarão. Não sei se terei dito o que desejava. Sinto-me ainda um pouco atordoada, como é natural. Deus vos abençoe e fique convosco. n

.Engrácia


II


1 Minha boa Julinha, a paz de Deus, nosso Pai, seja em teu generoso coração, sempre tão cheio de fé.  — 2 Trabalhemos pelos cegos, minha filha, pensando que a cegueira do espírito é bem mais triste que a dos olhos.

3 Hei de ajudar-te com o favor de Deus.

A tia, n

.Engrácia


III


1 Minha filha, essa é uma das modalidades mais simples do alfabeto dos cegos. Faltam outras letras e abreviaturas, que poderei ensinar de outra vez. O alfabeto tem sofrido transformações. Corrige algum lapso das páginas de hoje, que se destinam à sua mãe. n

2 Deus lhes dê paz e saúde. Colabore, Maria, na nossa obra, quando lhe for possível. Tenho conhecido suas dedicações. Continue ensinando às meninas que buscam abrigo no seu teto, como vem fazendo.

3 Tenho visto seus bons desejos.
Deus há de abençoá-la.
Muita paz e saúde a todos.
Da velha tia,

.Engrácia



Reformador — Julho de 1976


[1] [No livro impresso, com o título “Mensagem de Engrácia Ferreira”, as três mensagens dispostas sequencialmente em capítulos separados (I, II, III), foram publicadas no Reformador de julho de 1976.]


[2] Trata-se de Júlia Pêgo de Amorim, sua colaboradora no trabalho de transcrição das obras fundamentais do Espiritismo para o Braille. Vide nota complementar à página 152. [Nota 4 abaixo]


[3] Em referência a alguns afeiçoados seus que ainda não admitiam a comunicação dos Espíritos.


[4] Conforme verificado nas obras organizadas por Wanda Amorim Joviano, a saber Sementeira de Luz (VINHA DE LUZ, 5. ed., 2015) e Militares no Além (VINHA DE LUZ, 2ª ed., 2009), a [primeira] mensagem foi psicografada em 06/05/1937, menos de um mês da desencarnação de D. Engrácia Ferreira. Sabe-se que ela foi “(…) pioneira do alfabeto Braille para cegos, desencarnou a 21 de abril de 1937. Menos de um mês depois, a 6 de maio, comunicava-se por meio de Chico Xavier em mensagem dirigida a Júlia Pêgo de Amorim, sua sobrinha, solicitando a continuação de sua obra. Onze dias depois, Chico recebe a segunda mensagem, na própria grafia do Braille, que foi publicada em Reformador de junho de 1938 [páginas 173-174]. (…) No dia 16 de novembro de 1938, transmite a terceira mensagem, sugerindo que ela transpusesse para o Braille determinado dicionário de Português, obra que havia deixado inacabada. D. Júlia, atendendo à solicitação da querida amiga espiritual, aprendeu sozinha o alfabeto Braille, copiando letra por letra. Para certificar-se, pediu a um cego que lesse o que havia escrito, cujo resultado encheu-lhe de alegrias. A partir daí transformou-se numa verdadeira missionária do Braille. Reuniu em sua casa várias senhoras interessadas nessa obra de altruísmo — na prática do ensino do Braille. Em 1939, iniciou a transcrição do Dicionário da Língua Portuguesa, de autoria de Hildebrando Lima e Gustavo Barroso, cujo trabalho durou cerca de 4 anos, dando, ao todo, 64 volumes. Em 1945, Chico Xavier recebeu a quinta mensagem do Espírito Engrácia Ferreira, agradecendo à sobrinha o atendimento e o valioso trabalho em prol dos cegos. D. Júlia iniciou um curso gratuito do Braille no centro da cidade, visando maior número de colaboradores. Transcreveu para esse alfabeto inúmeras obras espíritas e não espíritas, entre as quais O Evangelho Segundo o Espiritismo, Agenda cristã, Cartas do Evangelho, Voltei, Pequenas Mensagens e muitas outras, todas doadas à Sociedade Pró-Livro Espírita em Braille (SPLEB). (…). Segundo Wanda Amorim Joviano, sobrinha-neta de Engrácia Ferreira, em nota em livro de sua organização, juntamente de Geraldo Lemos Neto, o Depois da Travessia, psicografado por Chico Xavier, por Espíritos diversos (VINHA DE LUZ / DIDIER, 2013, página 90), “Tia Engracinha, já no Plano espiritual, reconheceu-se devedora dos cegos, porque, mulher poderosa em vida anterior, decretara tal pena ao chefe de insurreição surgida em seus domínios e, em o fazendo, teve como vítima o próprio filho.” Referenciado em nota explicativa da obra já citada, página 90, e no livro Palavras sublimes, psicografado por Chico Xavier, por Espíritos diversos (VINHA DE LUZ, 2014, página 104), também organizado por este autor.


[5] O Reformador apresenta essa mensagem em Braille. Segundo consta do original, a página foi recebida em 17/05/1937. Encontra-se reproduzida em nota nos livros Militares no Além (VINHA DE LUZ, 2009, 2ª ed., página 28), organizado por Wanda Amorim Joviano, e Depois da Travessia (VINHA DE LUZ / DIDIER, 2013. página 90), organizado por Geraldo Lemos Neto e Wanda Amorim Joviano, ambos da psicografia de Chico Xavier, por Espíritos diversos.


[6] A entidade comunicante faz alusão à mensagem recebida anteriormente, na mesma data de 17/05/1937, e que reproduzimos neste volume à página 153 [Nota 5, acima]. A mensagem foi destinada à Maria Joviano, filha de D. Júlia Pêgo Amorim.


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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