Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

Cartilha da Natureza — Casimiro Cunha


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O remédio

  1 O doente neste mundo,

  Que deseje melhorar,

  Jamais encontra remédio

  Saboroso ao paladar.


  2 Por ministrar reconforto,

  Fazendo caminho à cura,

  O melhor medicamento

  Tem ressaibos de amargura.


  3 Todo enfermo esclarecido,

  De senso nobre e louvável,

  Já sabe que seu remédio

  Tem gosto desagradável.


  4 Se a moléstia é renitente,

  Mais áspera e mais revel,

  A justa medicação

  Amarga, sabendo a fel.


  5 Por vezes, a beberagem

  Não basta à restauração,

  É preciso o bisturi

  Na zona de intervenção.


  6 Contra o campo infeccioso,

  Providência compulsória,

  Angústias do pensamento

  Sobre a mesa operatória.


  7 Há remédios variados:

  Purgante, choque, sangria,

  Compressas e pedilúvios,

  Recursos de cirurgia.


  8 Sempre o fel do sofrimento

  Amigo, reparador,

  Tortura que retifica

  A dor que remove a dor.


  9 Se é tão grande o sacrifício

  No campo da cura externa,

  Pondera sobre o equilíbrio

  Necessário à vida eterna.


  10 Nos dias de grandes dores,

  Vive a fé, guarda-te em calma.

  Grandes males no teu corpo

  São remédios na tua alma.


Casimiro Cunha


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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