Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

Cartilha da Natureza — Casimiro Cunha


77


A aranha

  1 Geralmente, em toda parte,

  No ângulo mais sombrio

  Dos recantos desprezados,

  Vem a aranha e tece o fio.


  2 Escura, silenciosa,

  Atendendo ao próprio instinto,

  Seja dia, seja noite,

  Vai fazendo o labirinto.


  3 Por manter o enorme enredo,

  Insiste e nunca esmorece,

  Condenar-se por si mesma

  É seu único interesse.


  4 Desdobrando movimentos

  Nos impulsos insensatos,

  Pratica perseguições,

  Multiplica assassinatos.


  5 Insetos despreocupados,

  Na ilusão cariciosa,

  Transformam-se em prisioneiros

  Da pequena criminosa.


  6 Satisfeita, a aranha escura

  Prossegue na horrenda lida,

  Nos venenos que segrega

  Traz a morte e suga a vida.


  7 Mas um dia, o espanador,

  Na luta material,

  Vem e arranca essa infeliz

  Das teias de horror do mal.


  8 A aranha, porém, não cede,

  Com teimosia e com arte,

  Foge ao bem que se lhe fez,

  E vai tecer noutra parte.


  9 Quem medita na conduta

  Dessa aranha renitente,

  Encontra a cópia fiel

  Da vida de muita gente.


  10 A muitos presos do engano,

  Deus envia a dor e as provas;

  Mas, depois de libertados,

  Vão prender-se em redes novas.


Casimiro Cunha


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

.

Abrir