Bíblia do CaminhoTestamento Xavieriano

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Cartilha da Natureza — Casimiro Cunha


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O oásis


  1 Em torno, o despovoado,

  Os lençóis de areia ardente…

  O viajor vive o seu drama

  Doloroso e comovente.


  2 Nenhuma vegetação,

  Nem a bênção de uma fonte,

  O quadro é desolador,

  Embora a luz do horizonte.


  3 Cansado de sede e fome,

  Sofre e sua, sonha e chora,

  Desde a aurora rutilante

  As promessas de outra aurora.


  4 Pede em vão, suplica a esmo,

  No auge das aflições,

  Guardando nalma ansiedades,

  Angústias, recordações.


  5 O vento levanta a areia,

  Desfigurando as paisagens,

  E o pobre sorri chorando

  Na carícia das miragens.


  6 Concentra-se, avança mais,

  Quase morto de alegria;

  Contudo, desfaz-se a tela

  Dos planos da fantasia.


  7 Arrasta-se amargamente,

  Ralado de desventura,

  Mas, na última esperança,

  Surge um canto de verdura.


  8 É o oásis que o Senhor,

  Atento à nossa viagem,

  Mandou para os caminheiros

  Que persistam na coragem.


  9 Nos trabalhos deste mundo,

  Em rumo obscuro, incerto,

  Muita vez encontrarás

  Inclemências do deserto.


  10 Deus vela. Prossegue a luta,

  Sem lamento, sem gemido…

  Atingirás, talvez hoje,

  O oásis desconhecido.


.Casimiro Cunha


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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