Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

Cartilha da Natureza — Casimiro Cunha


66


O vau

  1 Por benfeitor venerável,

  No seio da Natureza,

  Rola o rio caudaloso

  Escondendo a profundeza.


  2 Enquanto busca reserva,

  Guardando seu próprio leito,

  Ninguém se arrisca à passagem

  Sem cuidado e sem respeito.


  3 O rio jamais se nega

  A ceder na travessia,

  Mas todos se acercam dele

  Com a máxima cortesia.


  4 Socorrem-se os viajantes

  Do auxílio de embarcação,

  E espera-se a ponte amiga

  Como justa construção.


  5 Mas, se um dia, por descuido,

  O rio apresenta o vau,

  Ai dele! o destino agora

  É triste, amargoso e mau.


  6 Ninguém lhe receia as águas

  Noutro tempo respeitadas;

  Invadem-nas cavaleiros,

  Carros, toras e boiadas.


  7 As correntes que eram puras,

  E amadas por justa fama,

  Rolam sujas e insultadas

  De lodo, de lixo e lama.


  8 A ponte dorme em projeto

  E o rio, embora a beleza,

  Depois que exibiu o vau,

  Nunca mais teve defesa.


  9 As nossas almas também

  São como o rio profundo…

  A zona de intimidade

  Precisa ocultar-se ao mundo.


  10 O mal quer turvar-nos sempre.

  Vigia, resiste e vence-o.

  Se queres respeito e paz;

  Não te esqueças do silêncio.


.Casimiro Cunha


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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