Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

Cartilha da Natureza — Casimiro Cunha


48


O poço

  1 Quem segue ao sol calcinante,

  Com sede desesperada,

  Rende graças ao Senhor

  Achando um poço na estrada..


  2 O quadro agreste, por vezes,

  Não tem abrigo nem fonte,

  Raras árvores se alinham,

  Perdendo-se no horizonte.


  3 Em meio à desolação,

  Entre o calor e a secura,

  A cisterna dadivosa,

  Guarda a bênção da água pura.


  4 Há poços de toda idade,

  Bem calçados, mal assentes,

  Mais rasos e mais profundos,

  Em dimensões diferentes.


  5 No seu íntimo, entretanto,

  Trazem todos a água amiga

  Que socorre aos que sucumbem

  De desânimo e fadiga.


  6 Quem tem sede se aproxima

  Com cuidado e gratidão,

  E dispensa ao poço humilde

  Sempre a máxima atenção.


  7 Lançando o copo ansioso

  Sem notar os sacrifícios,

  Evita a poeira ou o lodo

  Que anulem os benefícios.


  8 E sorve esse orvalho santo

  Que vem da terra imperfeita,

  Com o júbilo generoso

  De uma oração satisfeita.


  9 No mundo, o mesmo acontece:

  Nas agruras do caminho,

  Cada qual pode apelar

  Às posses do seu vizinho.


  10 Mas, se agita a lama em torno,

  Como quem fere e escabuja,

  O poço, apesar de bom,

  Só pode dar-lhe água suja.


.Casimiro Cunha


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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