Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

Cartilha da Natureza — Casimiro Cunha


39


O esterco

  1 O esterco que esgalha o bem,

  Vive em luta meritória;

  Se é pobre, tem seu proveito,

  Seu caminho, sua história.


  2 Quase sempre, chega aos montes

  Dos redis e dos currais,

  Escuros remanescentes

  Da esfera dos animais.


  3 De outras vezes, vem das zonas

  De imundície e esquecimento,

  Onde a vida se transforma

  Em triste apodrecimento.


  4 Em outras ocasiões,

  É detrito das estradas

  Lixo estranho e nauseabundo

  Das taperas desprezadas.


  5 É a decadência das coisas

  No resumo do imprestável,

  Fase rude e dolorosa.

  Da matéria transformável.


  6 Em síntese, todo esterco

  É derrocada ou monturo

  Que das sombras do passado

  Lança forças ao futuro.


  7 Analisando esse quadro,

  Veremos que a podridão

  Vai ser cor, perfume, fruto,

  Doçura e renovação.


  8 Notemos, porém, que a flor

  Vibra ao alto, linda e santa,

  Enquanto o adubo não passa

  Do solo, dos pés da planta.


  9 Na vida também é assim:

  O erro, a miséria, o mal,

  Podem ser algumas vezes,

  Esterco espiritual.


  10 Todavia, é necessário

  Que das lutas, através,

  Aproveitemos o adubo,

  Esmagando-o sob os pés.


.Casimiro Cunha


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

.

Abrir