Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

Cartilha da Natureza — Casimiro Cunha


1


A fazenda

  1 O dia vem longe ainda,

  Fulgura o brilho estelar…

  Mas nos campos da fazenda

  É hora de trabalhar.


  2 O dever chama aos serviços

  Da luta risonha e sã,

  Na divina voz das aves

  Que cantam pela manhã.


  3 A tarefa atinge a todos

  Nos roçados, no paiol,

  Tudo expressa movimento

  Precedendo a luz do sol.


  4 Ali, corta-se, acolá

  Dispõe-se de novo a leira,

  Aqui, combate-se os vermes

  Que atacam a sementeira.


  5 Ninguém para. Todos lutam.

  Há cantares da moenda,

  Contando a história do açúcar

  Nos caminhos da fazenda.


  6 Entretanto, se o programa

  É repouso, calma e sono,

  Em breve, a propriedade

  Vive em trevas do abandono.


  7 Serpentes invadem campos,

  Há cipó destruidor,

  O mato chega às janelas,

  Procurando o lavrador.


  8 Enquanto a enxada descansa

  Esquecida e enferrujada,

  A casa desprotegida

  Prossegue na derrocada.


  9 Quem não vê na experiência

  Tão simples, tão conhecida,

  A zona particular

  Nos quadros da própria vida?


  10 Rico ou pobre, fraco ou forte,

  Não te entregues à inação,

  Que a vida é a fazenda augusta

  Guardada na tua mão.


.Casimiro Cunha


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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