Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

Amor sem adeus — Mensagens familiares de Walter Perrone


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Encontro de amigos e recados do Além

Palavras de encorajamento, carinho e orientação fundamentam essa nova carta, recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier, na manhã de 10 de abril de 1976, em reunião pública do “Grupo Espírita da Prece”, em Uberaba, Minas Gerais.

Walter traça roteiros firmes, alicerçados em argumentações convincentes, por exemplo, o desaconselhamento incisivo da sonoterapia poderá ser útil a muitos de nós, em trânsito pelas vias terrestres, sujeitos a problemas emocionais semelhantes. Nesse momento, detemo-nos a pensar na generosidade da mãe de Walter, ao autorizar a divulgação de suas cartas.

Deparamos aqui e ali, com pensamentos reveladores de alta compreensão sobre vários aspectos da vida, mostrando-nos que, apesar das lutas e provas, muitas vezes dificílimas, da nossa existência, devemos enxergar a Terra, não como um vale de dares e lágrimas, mas, sim, uma grande e maternal escola. É, pois, nessa universidade imensa, girando a pleno céu, que, através de reencarnações, assimilamos novas lições e recapitulamos, em processos redentores, ensinamentos anteriormente desvirtuados ou desprezados.

O Autor Espiritual leva-nos, também, a meditar, mais acuradamente, sobre a sublime interrelação entre o trabalho do bem ao próximo e a nossa felicidade, concluindo que Esta é uma aula em que seu filho recorda todos os dias, o imperativo de compreender com Jesus a lei do amor, pela qual aquele que auxilia é sempre o contemplado por auxílio mais amplo.

A lei de causa e efeito ou de responsabilidade, que espelha a Justiça Divina, estudada no capítulo 6, é aqui abordada de forma simples e clara, dispensando outros comentários de nossa parte:

Mãezinha, ninguém faz o mal ou tenta praticá-lo porque o conheça conscientemente. Isso é assim porque o mal é ausência do bem ou desequilíbrio da vida e sempre que desajustamos essa ou aquela peça na engrenagem pela qual se sustém a harmonia dos outros, somos compelidos a restaurar a brecha feita.


Vimos o comparecimento à reunião de Uberaba de muitos amigos do Autor Espiritual.

Os novos personagens citados serão, mais adiante, apresentados ao leitor; antes, porém, queremos destacar o tópico em que Walter explica porque Áulus (falecido em 1972) não se havia até então comunicado pela psicografia, aspiração tanto de seus familiares como dele também: ele aguarda recursos de integração com o processo mediúnico da escrita. (Vide carta de Áulus no livro Reencontros)

Várias obras doutrinárias esclarecem, com detalhes, os fundamentos do intercâmbio mediúnico.

Pela semelhança com o caso em tela, achamos mais ilustrativo lembrar, aqui, a experiência do Espírito de Irmão Jacob, que na última encarnação trabalhou valorosamente na seara espírita. Embora muito dedicado ao estudo da Doutrina esposada, encontrou no Além novos e surpreendentes ensinamentos sobre o intercâmbio entre os Dois Mundos.

Ele confessa em seu livro Voltei que havia prometido a si mesmo continuar, após sua desencarnação, a corresponder-se, por via mediúnica, com os leitores de suas páginas doutrinárias. Contudo, em face das dificuldades encontradas no Plano Espiritual, agora rotula tal intenção, conquanto nobre, de leviana.

Assim comenta a sua experiência:

“Considerava a escrita e a incorporação mediúnicas ocorrências triviais do nosso aprendizado; no entanto, vim de reconhecer, neste plano em que hoje me encontro, a desatenção com que assinalamos semelhantes dádivas. Esses fatos amplamente multiplicados, em nossos agrupamentos, traduzem imenso trabalho dos Espíritos protetores, com reduzida compreensão por parte dos que a eles assistem.

Passei o observar o porquê de muitas promessas de amigos, que se não realizaram.

Companheiros diversos haviam partido, antes de mim, convencidos de que poderiam voltar, quando quisessem, trazendo informações da nova esfera e, embora lhes aguardasse a palavra esclarecedora, através de reuniões respeitáveis, a solução parecia adiada, indefinidamente.” n

Cita, a seguir, em seus valiosos apontamentos, a importante participação dos encarnados nas comunicações dos Espíritos. Reuniões bem organizadas, com cooperação elevada e ativa de seus componentes, são indispensáveis para uma colheita de bons resultados.

Na condição de liberto do vaso carnal, Irmão Jacob visitou, inicialmente, instituições espíritas do Rio de Janeiro, local onde residia. E depois, ao primeiro ensejo, dirigiu-se à cidade mineira de Pedro Leopoldo, terra natal e residência, na época, de Chico Xavier. O seu objetivo era aproximar-se do conhecido médium, visitado por ele, quando encarnado, em 1937. Conhecia seus livros psicografados e, evidentemente, a sua indiscutível fidelidade mediúnica o atraía fortemente.

Com estas palavras registrou sua primeira visita em Espírito, a terra onde Xavier exerceu as três primeiras décadas de seu mediunato:

“A casa humilde estava repleta de gente desencarnada.

Os companheiros, ao redor da mesa, eram poucos. Não excedia de vinte o número de pessoas no recinto. As paredes como que se desmaterializavam, dando lugar a vasto ajuntamento de almas necessitadas, que o orientador da casa, com a colaboração de muitos trabalhadores, procurava socorrer com a palavra evangélica.

Entrei, ladeando três irmãos, recebendo abraços acolhedores.

Notando os cuidados do dirigente, prevendo as particularidades da reunião, recordei os Espíritos controladores a que se referem comumente nossos companheiros da Inglaterra.

Estávamos perante equilibrado diretor espiritual.

Todas as experiências e realizações da noite permaneciam programadas.” n

E, mais adiante, após descrever outros detalhes do ambiente físico e espiritual onde se desenvolviam os trabalhos, explica-nos:

“Minha mente, contudo, interessava-se na aproximação com o médium, fixa na ideia de valer-se dele para contato menos ligeiro com o mundo que eu havia deixado.

Rompi as conveniências e pedi a colaboração do supervisor da casa, embora o respeito que a presença dele me inspirava. Não me recebeu o pedido com desagrado. Tocou-me os ombros, paternalmente, e acentuou, esquivando-se:

— Meu bom amigo, é justo esperar um pouco mais. Não temos aqui um serviço de mero registro. Convém ambientar a organização mediúnica. A sintonia espiritual exige trato mais demorado.

Lembrei-me, então, imperfeito e egoísta que ainda sou, de André Luiz. Ele não fora espiritista; no entanto, começara, de pronto, o noticiário do “outro mundo”. O diretor, liberal e compreensivo, mergulhou em mim os olhos penetrantes, como se estivesse a ler as páginas mais íntimas de meu coração e, sem que eu enunciasse o que pensava, acrescentou, humilde:

— Não julgue que André Luiz haja alcançado a iniciação, de improviso. Sofreu muito nas Esferas purificadoras e frequentou-nos a tarefa durante setecentos dias consecutivos, afinando-se com a instrumentalidade. Além disto, o esforço dele é impessoal e reflete a cooperação indireta de muitos benfeitores nossos que respiram em Esferas mais elevadas.

E passou a explicar-me as dificuldades, indicando os óbices que se antepunham à ligação e relacionando esclarecimentos científicos que não pude guardar de memória. Em seguida, prometeu que me auxiliaria no instante oportuno.

Realmente, estava desapontado, mas satisfeito.

Avizinhara-me dos amigos, incapaz de fazer-me percebido; entretanto, começava a entender, não somente os empecilhos naturais no intercâmbio entre ambas as Esferas, mas também a necessidade do desprendimento e da renúncia, na obra cristã que o Espiritismo, com Jesus, está realizando em favor do mundo.” n


Aos trabalhos do “Grupo Espírita da Prece”, de 10 de abril de 1976, conforme observamos, compareceram várias Entidades amigas de Walter; e quase todas elas estavam com familiares encarnados presentes à reunião.

Identificaremos as pessoas citadas pela primeira vez nesta série de mensagens psicografadas, após o relato de um fato curioso — mais um atestado de autenticidade mediúnica — com relação ao nome da mãe de Gerson José Bugiatto.

O leitor poderá constatar que na Segunda Carta o recado de Gerson foi assim: Nosso irmão Gerson está conosco e beija as mãos da mãezinha aqui presente; na Quarta Carta, Walter disse: Aqui se encontra nosso querido amigo Gerson que se afinou com as tarefas da querida mamãe, Dona Maria; e, agora, se refere a ela, por duas vezes, tratando-a de Maria Joana.

À primeira vista, nada de especial. O fato interessante é que a mãe de Walter sempre conheceu a amiga por “Maria”, ignorando completamente que o seu nome, na verdade, é “Maria Joana”. O acontecimento inesperado motivou um comentário entre as duas amigas, logo após o recebimento da mensagem.


O nome completo do jovem Áulus, citado na carta, é Áulus de Paula e Silva Bastos, nascido a 14/7/1955, filho de Urbano dos Santos Bastos e Camélia de Paula e Silva Bastos. Faleceu a 31/12/1972 em acidente de automóvel, na Via Anhanguera, entre Guará e São Joaquim da Barra, quando voltava para Ribeirão Preto, onde residia.

Quem nos prestou estas informações foi a sua progenitora, a atenciosa D. Camélia, dando-nos, também, outras explicações interessantes para o nosso estudo, que a seguir registramos:

“Conhecemos D. Maria Perrone, a mãe do Walter, em Uberaba, numa das reuniões do “Grupo Espírita da Prece”. Naquela noite recebera ela maravilhosa mensagem de seu filho. Não resistimos ao desejo de procurá-la, não só para conhecê-la, como também, para reler aquela mensagem que nos calara tão fundo no coração.

Desde esse nosso primeiro contato sentimos por ela grande afeição e, curioso, talvez pelo fato de sermos irmãs unidas no mesmo sofrimento, tornamo-nos logo muito amigas.

Daí por diante, sempre que D. Maria ia a Uberaba não deixava de nos telefonar, convidando-nos para irmos nos encontrar naquela cidade. Algumas vezes, foi-nos possível aceitar seu amável convite, razão pela qual pudemos associar-nos ao seu júbilo, quando, repetidas vezes, recebia novas mensagens do seu Waltinho, que passamos a estimar muito, pelo filho carinhoso que foi e continua sendo.

Começamos, então, a pedir-lhe, em nossas orações, se tornasse generoso amigo de nosso filho e nos desse notícias dele,, caso não lhe fosse possível dar mensagens de próprio punho.

Grande conforto foi para nós quando recebemos, por intermédio do bondoso Waltinho, em sua mensagem de 10/4/1976, notícias do nosso amado filho.”


Amaury foi outro jovem desencarnado que enviou, nesta 5ª mensagem, notícias aos seus queridos pais. E, para identificá-lo, ninguém melhor do que sua mãe, que o fez atendendo a um pedido de D. Maria Perrone, sugerido por nós com vistas à organização desta obra.

Ficamos mui gratos à boa vontade de D. Alda Aparecida Godoy Gallinari, residente em Americana (SP), e, respeitosamente, transcrevemos sua carta:

“Americana, 11 de maio de 1976

Querida amiga Maria,

Recebi ontem sua correspondência que consta de mensagem muito linda do Walter, com fotocópia do trecho que se refere ao meu filho e uma cartinha sua.

Fiquei muito contente por saber que você não se esquece de quem muito precisa de suas palavras confortadoras e também de suas preces. Deus lhe pague por tudo e a abençoe.

Agora envio-lhe as informações que me pede: meu filho Amaury Aparecido Godoy Gallinari nasceu a 10/9/1952 e faleceu em 25/6/1972. Cursava o 2º ano na Faculdade de Medicina de Catanduva. Meu marido chama-se Gélio Gallinari.

Pede-me para escrever como a conheci. Foi numa noite de sexta-feira, não me lembro o dia, lá em Uberaba, em visita ao Chico Xavier, levada com a finalidade de receber algo que pudesse amenizar a saudade, a mesma saudade que você também deve sentir, daquele que aqui na Terra constituía um grande tesouro para nós. Foi um encontro feliz, pois você é maravilhosa e suas palavras cheias de amor e compreensão me tem ajudado muito.

Quantos às cartas do Walter, posso afirmar que as li e reli muitas vezes, sempre achando que são lindas, cheias de amor, trazendo mensagens maravilhosas e profundas, alertando-nos para as nossas responsabilidades, fazendo-nos despertar para muitas e muitas coisas até então ignoradas.

Fiquei emocionadíssima quando, nessa última carta do Walter, ele me deu notícias do Amaury, enchendo-me novamente de esperanças. Não nego que eu já estava ficando desanimada, pois há quase quatro anos que vou à reunião do Chico sem receber notícias do Amaury. O recado transmitido pelo Walter deixou-me deveras esperançosa.

Confesso-lhe que quando percebi que a mensagem daquele sábado, dia 10 de abril, era do Walter para você, pedi a ele que me desse notícias do meu filho. Como ele deve conhecer a minha ansiedade e saudade, não me negou a ventura de transmitir-me algumas palavras que reavivasse em mim a esperança quase perdida.

Quero que você saiba que Walter, Jair e outros rapazes estão sempre presentes nas minhas preces diárias.

Por isso, peço a Deus que ilumine o Espírito de Walter, cada vez mais, para que ele possa continuar amenizando o sofrimento de muitas mães e o abençoe também, bem como a você, Maria, a quem ele chama de “velhinha santa”, porque certamente você merece.

Aquele abração a você, com votos de paz com Deus e com todos.

Sua amiga e irmã,

Alda”


Continuamos, a seguir, a identificar os personagens citados na carta em estudo:

Diogo Garcia — D. Maria Joana Bugiatto, presente à reunião, orava pelo Espírito de Diogo Garcia, irmão de sua amiga Maria Helena Garcia.


Joaquim — Filho de João da Fonseca e Ocirema Fonseca, amigos da família Perrone e residentes em Manaus. Joaquim faleceu aos 13 anos, em acidente automobilístico na capital amazonense, aproximadamente um ano antes desta mensagem.


Nasser — Nasser Miguel Haddad faleceu em São Paulo a 23-4-1974, com apenas 15 anos de idade, em acidente de trânsito. Filho de Miguel Nasser Haddad e de Shirley Haddad.


José Roberto — José Roberto Pereira da Silva desencarnou com 18 anos, em 8-6-1972, no acidente de trem que transportava estudantes para Moji das Cruzes. Filho de Nery Pereira da Silva e Lucy Ianez Silva.


Hércio Marcos Cintra Arantes



[41] XAVIER, Francisco Cândido — Voltei. Pelo Espírito Irmão Jacob. 6ª ed., Rio de Janeiro, FEB [1975] cap. 1, p. 17.

[42] Op. cit., cap. 1, p. 20-21.

[43] Op. cit., cap. 1, p. 22-23.


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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