Bíblia do Caminho Testamento Kardequiano

Revista espírita — Ano XII — Junho de 1869.

(Édition Française)

Museu do Espiritismo.

Nos planos do futuro que o Sr. Allan Kardec publicou na Revista de dezembro, e cuja execução a sua partida imprevista necessariamente retardará, encontra-se o parágrafo seguinte:

“Às atribuições gerais da comissão serão anexadas, como dependências locais:

“1° – …

“2° – Um museu onde se achem colecionadas as primeiras obras de arte espírita, os trabalhos mediúnicos mais notáveis, os retratos dos adeptos a quem a causa muito deva pelo devotamento que tenham demonstrado, os dos homens a quem o Espiritismo renda homenagens, embora estranhos à Doutrina, como benfeitores da Humanidade, grandes gênios missionários do progresso, etc.

“O futuro museu já possui oito quadros de grande dimensão, que só esperam um local conveniente; verdadeiras obras-primas, especialmente executadas em vista do Espiritismo, por um artista de renome, que generosamente os doou a Doutrina. É a inauguração da arte espírita, por um homem que alia à fé sincera o talento dos grandes mestres. Em tempo hábil faremos a sua descrição detalhada.”

(Revista de dezembro de 1868.)


Estes oito quadros compreendem: o retrato alegórico do Sr. Allan Kardec, o Retrato do autor, três cenas espíritas da vida de Joana d’Arc, assim designadas: Joana na fonte, Joana ferida e Joana sobre a sua fogueira; o Auto-de-fé de João Hus, um quadro simbólico das Três Revelações e a Aparição de Jesus entre os apóstolos, após sua morte corporal.

Quando o Sr. Allan Kardec publicou esse artigo na Revista, tinha a intenção de dar a conhecer o nome do autor, a fim de que cada um pudesse render homenagem ao seu talento e à firmeza de suas convicções. Se nada fez, foi porque aquele que é conhecido pela maioria de vós, por um sentimento de modéstia que facilmente compreendeis, desejava guardar o incógnito e só ser conhecido depois de sua morte.

Hoje as circunstâncias mudaram; o Sr. Allan Kardec não está mais entre nós e, se devemos esforçar-nos para executar os seus desígnios, tanto quanto o possamos, devemos também, sempre que nos for possível, resguardar a nossa responsabilidade e fazer frente às eventualidades que acontecimentos imprevistos ou manobras malévolas possam fazer surgir.

É com esta intenção, senhores, que a Sra. Allan Kardec me encarrega de vos fazer saber que seis dos quadros acima designados, postos nas mãos de seu marido, atualmente estão com ela, e que os conservará em depósito até que um local apropriado, comprado com os fundos provenientes da Caixa Geral e, consequentemente, mantido sob a direção da Comissão Central, encarregada dos interesses gerais da Doutrina, permita dispô-los de maneira conveniente.

Até aqui os múltiplos embaraços de uma mudança de domicílio, nas condições dolorosas que conheceis, não permitiram que os quadros fossem vistos. De agora em diante, todo espírita poderá, se tal for o seu desejo, examiná-los e apreciá-los na residência particular da Sra. Allan Kardec, às quartas-feiras, das duas às quatro horas.

Os dois outros quadros ainda estão em mãos do autor, que certamente todos já reconhecestes. É, com efeito, o Sr. Monvoisin, que, haurindo nova energia na firmeza de suas convicções, quis, apesar da idade avançada, concorrer para o desenvolvimento da Doutrina, abrindo uma nova era para a pintura e se pondo à frente dos que, no futuro, ilustrarão a arte espírita.

Nada mais diremos a respeito. O Sr. Monvoisin é conhecido e apreciado por todos, tanto como artista de talento quanto como espírita devotado, e tomará lugar ao lado do mestre, nas fileiras dos que bem tiverem merecido do Espiritismo.


(Extrato da ata da sessão de 7 de maio de 1869.)


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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