Bíblia do Caminho Testamento Kardequiano

Revista espírita — Ano XII — Julho de 1869.

(Édition Française)

DISSERTAÇÕES ESPÍRITAS.


A Ciência e a Filosofia.

(Sociedade de Paris,  †  23 de abril de 1869.)

A Ciência é lenta em suas afirmações, mas é segura; por vezes repele a verdade, mas jamais partilha o erro absoluto. Procede com rigor matemático; não admite senão o que é, ao passo que a Filosofia admite tudo o que pode ser; daí a diferença que se nota entre o objetivo de uma e de outra. A Filosofia chega num primeiro impulso; a Ciência transpõe penosa e vagarosamente a estrada árida do conhecimento positivo. Mas Filosofia e Ciência são irmãs; partem da mesma origem para fazerem a mesma carreira e chegarem ao mesmo fim. Sozinha, a Filosofia pode cometer desvios que a razão e a experimentação científica devem reprimir; isolada, a Ciência pode conduzir ao aniquilamento dos sentimentos, caso não seja regenerada pela excelência dos sentimentos do coração e das aspirações aos progressos morais.

Nos períodos originais da elaboração dos mundos, o sofisma domina o homem juntamente com o erro científico. Em seguida os pensadores e os sábios, tomando caminhos diversos, se separam durante as fases consagradas à luta, para se reunirem mais tarde num triunfo comum.

Certamente ainda estais bem longe de ter dado a última palavra sobre todas as coisas; mas chegareis a passos largos a essa época em que a Humanidade avançará para o infinito numa rota única, larga, segura, tolerante e solidária. O homem não será mais uma unidade combatendo para a sua própria glória e procurando engrandecer-se sobre os cadáveres intelectuais de seus contemporâneos. Será um elemento da grande família, uma modalidade fazendo parte de um todo harmonioso, um instrumento racional num concerto sem defeito! Será a era da felicidade por excelência, a era bendita, a era da paz pela fraternidade e do progresso pela união dos esforços inteligentes.

Honra à Filosofia, que sabe aliar-se à Ciência para obter um tal resultado.

Honra aos homens da Ciência que ousam afirmar suas crenças filosóficas e tirar do seu envoltório, para desdobrar aos olhos atônitos do mundo do pensamento, a bandeira sobre a qual inscreveram estas três palavras: Trabalho, experimentação, certeza.

Privada da Ciência, a Filosofia se lança no infinito, mas, voando com uma asa só, tomba esgotada das alturas a que aspira. A Ciência sem a Filosofia é uma caolha que não vê bem senão de um lado; não percebe o abismo que se cava sob o seu olho ausente. A Ciência e a Filosofia, unidas num comum impulso para o desconhecido, representam a certeza, a verdade em direção a Deus.


Clélie Duplantier. n



[1] [v. Clélie Duplantier.]


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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