Bíblia do Caminho Testamento Kardequiano

Revista espírita — Ano VI — Julho de 1863.

(Édition Française)

DISSERTAÇÕES ESPÍRITAS.


Os fatos realizados.

(Sociedade Espírita de Paris,  †  26 de dezembro de 1862. – Médium: Sr. d’Ambel.)

Nota. – Esta comunicação foi dada a propósito de um relatório feito à Sociedade sobre as novas sociedades espíritas que se formam em toda parte, na França e no estrangeiro.


Hoje o progresso se manifesta de maneira brilhante na crença e nas doutrinas regeneradoras que trazemos ao vosso mundo, para que, doravante, seja necessário constatá-lo. Cego é quem não vê a marcha triunfante de nossas ideias! Quando homens eminentes, oriundos das mais liberais funções, gente de ciência, de estudo, médicos, filósofos, jurisconsultos se lançam resolutamente à busca da verdade nas novas vias abertas pelo Espiritismo; quando a classe militante aí vem buscar consolações e novas forças, quem pois, entre os humanos, se julgaria bastante forte para opor uma barreira ao desenvolvimento desta nova ciência filosófica? Ultimamente dizia Lamennais, nesse estilo conciso e eloquente a que vos habituastes, que o futuro estava no Espiritismo. Hoje tenho o direito de exclamar: Não está aí um fato realizado?

Com efeito, a estrada torna-se larga; o regato de ontem se transforma em rio e, a partir dos vales transpostos, seu curso majestoso sorrirá das frágeis eclusas e das tardias barricadas que alguns ribeirinhos atrasados tentarão estabelecer, a fim de entravar a sua marcha para o grande oceano do infinito. Pobre gente! em breve a corrente vos arrastará e logo vos ouviremos gritar, também vós: “É verdade! a Terra gira!”

Se as ondas de sangue derramado nas Américas não chamassem a atenção de todos os pensadores sérios e de todos os amigos da paz, cujo coração sangra ao relato dessas lutas sangrentas e fratricidas; se as nações mal estabelecidas não buscassem em toda a região encontrar a sua base normal; enfim, se as aspirações de todos não tendessem para o melhoramento material e moral, há tanto tempo perseguido, poder-se-ia negar a utilidade dos cataclismos morais, anunciados por alguns Espíritos iniciadores. Mas todos esses sinais característicos são muito aparentes para que não se reconheça a necessidade, a urgência de um novo farol, que ainda possa salvar o mundo em perigo.

Antigamente, quando o mundo pagão, minado pela mais completa desmoralização, vacilava em sua base, de todos os lados vozes proféticas anunciavam a próxima vinda de um redentor. Desde alguns anos não tendes ouvido, ó espíritas, as mesmas vozes proféticas? Ah! bem o sei: nenhum dentre vós o esqueceu. Pois bem! tende por certo que o tempo é chegado; e, como outrora na Judeia,  †  gritemos juntos: “Glória a Deus no mais alto dos céus!”  ( † )


Erasto. n



[1]  [v. Thomas Erasto.]


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