Bíblia do Caminho Testamento Kardequiano

O que é o Espiritismo.

(Segunda versão.) n
(Édition Française)

Capítulo II.


RESUMO DA DOUTRINA ESPÍRITA.

(Sumário)


FACULDADES DO HOMEM.


37. — O homem é um Espírito encarnado, seu passado e o seu futuro não são outros senão o do Espírito que veio de habitar o seu corpo. Trará, portanto, ao nascer, e por intuição, as qualidades e os conhecimentos adquiridos anteriormente pelo Espírito nele encarnado.


38. — A existência do Espírito como homem não é, por assim dizer, mais que um dia na sua vida como Espírito. A morte do corpo é para ele como o sono ao final do dia; é o sinal de um despertar imediato.


39. — O homem não podendo haver adquirido tudo o que sabe, nem adquirir tudo o que deve saber na sua existência presente, segue-se que esta existência não pode ser nem a primeira nem a última. Se fosse a primeira, o homem estaria no mais baixo da escala moral; se devesse ser a última, isso suporia nele a perfeição.


40. — A cada nova existência corporal, o Espírito tem o seu ponto de partida no grau em que ele havia permanecido. Estas diferentes existências são, assim, outras tantas etapas da vida espírita, em cada uma das quais o Espírito deixa algumas das suas imperfeições até que ele haja atingido o termo para o qual se destina: a vida eterna.


41. — Tão somente a preexistência da alma e o princípio de um progresso anterior podem justificar a diferença das disposições naturais e as ideias inatas que ajudam na aquisição de novas ideias, como, no curso da vida, o que se adquire a cada dia serve de base ao que se está por adquirir no dia seguinte. Aí se encontra a única explicação possível das aptidões intelectuais e morais, das inclinações instintivas boas ou más que são independentes de toda educação e qualquer ideia adquirida.

A diversidade das aptidões inatas, intelectuais e morais, é um fato que não se pode colocar em dúvida; se não se admitir a precedência do progresso, e se pensarmos que a alma nasce ao mesmo tempo que o corpo é necessário admitir que Deus cria alguns mais favorecidos e que os livra do trabalho reservado aos outros, o que não seria de acordo com a justiça.


42. — Os órgãos são os instrumentos da manifestação do pensamento e sua constituição mais ou menos perfeita influencia necessariamente sobre esta manifestação. Mas fazer depender destes mesmos órgãos a diversidade das aptidões e das tendências é tirar do homem o seu livre árbitro, é livrá-lo de qualquer responsabilidade por seus atos; tal doutrina seria profundamente imoral e subversiva da ordem social. O estado dos órgãos torna as manifestações mais ou menos fáceis, mas isso não tira do Espírito as qualidades inerentes à sua natureza. O artista eminente que não tem à sua disposição senão um mau instrumento executa menos bem a sua arte, mas isso não tira nada ao seu talento.


43. — Se se admitir órgãos cerebrais especiais para cada faculdade, o desenvolvimento destes órgãos é o resultado do exercício da faculdade inerente ao Espírito: é um efeito e não uma causa.



[1] Nesta segunda versão deste livro, publicado em 1860, o autor apresenta O que é o Espiritismo sob um novo ponto de vista.


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