Bíblia do Caminho Testamento Kardequiano

Obras póstumas — 2ª Parte

(Édition Française)

Capítulo 22


A IGREJA


Paris, 30 de setembro de 1863 — (Médium: Sr. d’A…)

Eis-te de volta, meu amigo, e não perdeste o teu tempo. À obra ainda, pois não deves deixar se enferruje a tua bigorna. Forja, forja armas bem temperadas; repousa do trabalho feito, empreendendo trabalhos mais difíceis. Todos os elementos serão postos ao teu alcance, à medida que for necessário.

É chegada a hora em que a Igreja tem de prestar contas do depósito que lhe foi confiado, da maneira por que pratica os ensinos do Cristo, do uso que fez da sua autoridade, enfim, do estado de incredulidade a que levou os Espíritos. A hora é vinda em que ela tem de dar a César o que é de César e de assumir a responsabilidade de todos os seus atos. Deus a julgou, e a reconheceu inapta, daqui por diante, para a missão de progresso que incumbe a toda autoridade espiritual. Somente por meio de uma transformação absoluta lhe seria possível viver; mas, resignar-se-á ela a essa transformação? Não, pois que, então, já não seria a Igreja, para assimilar as verdades e as descobertas da Ciência, teria de renunciar aos dogmas que lhe servem de fundamentos; para volver à prática rigorosa dos preceitos do Evangelho, teria de renunciar ao poder, à dominação, de trocar o fausto e a púrpura pela simplicidade e a humildade apostólicas. Ela se acha nesta alternativa: ou se suicida, transformando-se; ou sucumbe nas garras do progresso, se permanecer estacionária.

Aliás, como já se mostra cheia de ansiedade e na Cidade Eterna se sabe, por inegáveis revelações, que a Doutrina Espírita causará dor viva ao papado, porque na Itália se prepara rigorosamente o cisma. Não é, pois, de espantar o encarniçamento com que o clero se lança ao combate contra o Espiritismo, impelido pelo instinto de conservação. Ele, porém, já verificou que suas armas se embotam contra essa potência que surge; seus argumentos não têm podido resistir à lógica inflexível; só lhe resta o demônio, mísero auxiliar seu no século XIX.

Ao demais, a luta está aberta entre a Igreja e o progresso, mais do que entre ela e o Espiritismo. Ela é batida em toda a linha pelo progresso geral das ideias e sucumbirá sob os seus golpes, como tudo quanto sai fora do seu nível. A marcha rápida das coisas há de fazer-vos pressentir que o desenlace não demorará muito tempo. A própria Igreja parece compelida fatalmente a precipitá-lo.

Espírito de E.


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